Trajetórias
Sobre
Aquarela de Ada Lovelace jovem, de rosto voltado para a esquerda, cabelo preso em coques laterais, flores amarelas e véu escuro.

Imagem: Alfred Edward Chalon · Domínio público · Wikimedia Commons

Matemática · Autora das Notas sobre a Máquina Analítica · Colaboradora de Charles Babbage

Ada Lovelace: a condessa que explicou uma máquina que nunca foi construída

Aos 27 anos, publicou notas sobre a Máquina Analítica de Babbage com um método para números de Bernoulli. O crédito do algoritmo é disputado.

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Podemos dizer, com toda propriedade, que a Máquina Analítica tece padrões algébricos assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas.

Ada Lovelace (assinando A.A.L.) · Nota A das Notas da Tradutora, em Scientific Memoirs, volume 3, 18431tradução livre
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We may say most aptly that the Analytical Engine weaves algebraical patterns just as the Jacquard-loom weaves flowers and leaves.

Em resumoQuem é e por que importa

Augusta Ada Byron nasceu em Londres em 10 de dezembro de 1815, filha do poeta Lord Byron e de Anne Isabella Milbanke, e morreu em 27 de novembro de 1852, aos 36 anos. 1718 Em 1843, já casada e condessa de Lovelace, publicou a tradução inglesa de uma memória do engenheiro italiano Luigi Menabrea sobre a Máquina Analítica, o computador mecânico que Charles Babbage projetou e nunca terminou. 517 A tradução vinha acompanhada de sete notas, de A a G, assinadas apenas com as iniciais A.A.L. 15

A última nota, a Nota G, descreve passo a passo como a máquina calcularia números de Bernoulli, e muita gente chama esse trecho de primeiro programa de computador publicado. 157 Outras partes das notas dizem que a máquina poderia operar sobre coisas que não fossem números, e dão a música como exemplo. 15 Ada escreveu também que a máquina não tinha pretensão alguma de originar coisa alguma, frase que Alan Turing batizaria, em 1950, de objeção de Lady Lovelace. 14

Esta biografia acompanha a formação em matemática, a colaboração com Babbage e a morte precoce. Ela trata com cuidado o que está em disputa: quanto do método da Nota G é dela e quanto é de Babbage, e se "primeira programadora" é um fato simples ou um rótulo. 391012 Cada número entre colchetes leva à lista de fontes no fim da página.

1843ano da publicação da tradução e das Notas, em Scientific Memoirs, volume 3 517
7notas, de A a G, assinadas A.A.L. 15
41 de 66páginas do artigo de 1843 que são apêndices dela, segundo a Bodleian 5
25operações numeradas no diagrama da Nota G para calcular o número que ela chama de B7 110
330 e 3operações de um exemplo da Nota F e cartões de operação que bastariam para executá-las 1
3 minutostempo estimado por Babbage para multiplicar dois números de 20 algarismos na máquina 5
17 anosidade de Ada quando conheceu Babbage, em junho de 1833 610
36 anosidade em que morreu, em 27 de novembro de 1852 1215

Ficha

Nascimento
10 de dezembro de 1815, em Piccadilly, Londres 17
Morte
27 de novembro de 1852, em Marylebone, Londres, de câncer, aos 36 anos 121517
Pais
O poeta Lord Byron e Anne Isabella Milbanke, que se separaram cerca de um mês depois do nascimento dela 1718
Formação
Aulas particulares de matemática, entre outros com Mary Somerville e, a partir de 1841, com Augustus De Morgan 1017
Título
Casou-se com William King em 8 de julho de 1835; ele foi feito conde de Lovelace em 1838 e ela virou condessa 17
Colaborador
Charles Babbage, que ela conheceu numa festa em 5 de junho de 1833 617
Obra principal
Tradução e Notas A a G de Sketch of the Analytical Engine, em Scientific Memoirs, volume 3, 1843 15
Assinatura
A.A.L., as iniciais dela, sem o nome completo 515
Sepultamento
Igreja de St Mary Magdalene, em Hucknall (Nottinghamshire), ao lado do pai, a pedido dela 1018
Homenagem
A linguagem de programação Ada foi batizada em honra dela 19
Capítulo 1

Uma herança de escândalo e de aritmética

Augusta Ada Byron nasceu em 10 de dezembro de 1815, em Piccadilly, Londres, filha do poeta Lord Byron e de Anne Isabella Milbanke, a quem ele chamara, antes do casamento, de "Princesa dos Paralelogramos". 17 Lady Byron se interessava por matemática. 17 Os pais se casaram em 2 de janeiro de 1815 e se separaram em 16 de janeiro de 1816, quando a filha tinha cinco semanas. 1718 Em 25 de abril de 1816, Byron deixou a Inglaterra: Ada nunca mais o viu, e ele morreu na Grécia quando ela tinha oito anos. 17

Retrato a óleo de Lord Byron, jovem, com o rosto voltado para a esquerda, de camisa branca e capa escura sobre um fundo escuro.
Lord Byron, retrato de Thomas Phillips, de 1813 (data da Wikimedia Commons). Ele e Lady Byron se separaram em janeiro de 1816, quando Ada tinha cinco semanas 1718.

Imagem: Thomas Phillips · Domínio público · Wikimedia Commons

A guarda ficou com a mãe, que, segundo a MacTutor, fez o possível para que a filha não se tornasse poeta como o pai. 17 A matemática entrou na educação por razões que a mesma fonte registra: Lady Byron gostava do assunto e o considerava um bom treino para dar disciplina à mente. 17 A música também era enfatizada. 17 Ada teve vários tutores, muitas vezes por pouco tempo, e preferia geografia à aritmética, que estudava para agradar à mãe. 17 Wolfram conta que o pai disse ter escolhido o nome Ada por ser curto, antigo e vocálico. 12

Aos doze anos, em fevereiro de 1828, Ada decidiu voar. Segundo a Wikipédia, estudou materiais para fazer asas (papel, seda oleada, arames e penas), examinou a anatomia das aves para achar a proporção entre asas e corpo e planejou escrever um livro, Flyology, com gravuras das descobertas. 18 O último passo do plano era juntar o vapor à arte de voar. 18 Wolfram resume a ideia como imitar o voo dos pássaros com máquinas a vapor. 12

A saúde interrompeu o projeto. Em junho de 1829, depois de um surto de sarampo, Ada ficou paralisada e passou quase um ano de repouso; em 1831 já andava com muletas. 18 Mesmo assim, segundo a Wikipédia, seguiu estudando e desenvolveu habilidades em matemática e tecnologia. 18 Aos 17 anos, como era costume das moças da sociedade, foi a Londres para uma temporada social e foi apresentada à corte; 26 dias depois, em 5 de junho de 1833, estava numa festa na casa de Charles Babbage. 1218

Capítulo 2

Matemática, de Somerville a De Morgan

A matemática que Ada aprendeu veio de tutores particulares. 17 William Frend, que ensinara a mãe dela, já era idoso e, segundo a MacTutor, não acompanhara os avanços da área. 17 A Scientific American observa que a educação matemática dela era incomum até para uma moça de linhagem nobre, numa época em que a matemática britânica estava estagnada, embora De Morgan, George Peacock e Babbage ajudassem a renová-la. 10

Mary Somerville, cientista conhecida pelas traduções das obras de Laplace, foi tutora e amiga de Ada, e as duas se corresponderam por muitos anos. 1018 Segundo a MacTutor, Somerville mandava livros de matemática, aconselhava os estudos, propunha problemas e conversava com a jovem sobre Babbage e as máquinas dele. 17 As fontes divergem sobre o começo da amizade: a Wikipédia diz que foi Somerville quem a apresentou a Babbage em 1833, e a MacTutor data o primeiro encontro com Somerville em 1834, depois do encontro com Babbage. 1718

Litografia em preto e branco do busto de Mary Somerville, com cachos laterais, gola de renda e estola de pele, legenda Mrs Somerville.
Mary Somerville em litografia de cerca de 1833 a partir de um retrato de Thomas Phillips (British Museum, via Wikimedia Commons). Somerville foi tutora e amiga de Ada 1017.

Imagem: Thomas Phillips (original); Graf & Soret (impressão); gravação atribuída a Harriet Gunn · Domínio público · Wikimedia Commons

Em 8 de julho de 1835, Ada se casou com William King. 1718 Em 1838 ele foi feito conde de Lovelace, e ela passou a ser a condessa de Lovelace. 1718 Depois de ter filhos, Ada voltou à matemática com mais seriedade, segundo Wolfram. 12 Pela MacTutor, em 1841 ela começou estudos avançados com Augustus De Morgan, professor da University College London, amigo de Babbage e lógico conhecido. 1712

Retrato a óleo de corpo inteiro de Ada Lovelace, de vestido de cetim branco com manto vermelho, diante de uma escada de madeira.
Retrato de Ada por Margaret Sarah Carpenter, de 1836 (data da Wikimedia Commons). A Wikipédia diz que a estátua de Westminster se baseia neste retrato 18.

Imagem: Margaret Sarah Carpenter · Domínio público · Wikimedia Commons

De Morgan a pôs para estudar cálculo. 12 As cartas que ela lhe escreveu, diz Wolfram, lembram as de uma aluna de cálculo de hoje, até na dúvida de por que não se pode multiplicar por dx. 12 Ursula Martin conta que De Morgan descreveu o poder de pensamento dela como fora do comum, e a Wikipédia registra que ele disse à mãe de Ada que ela poderia se tornar uma investigadora matemática original, talvez de primeira linha. 1318

Fotografia antiga em preto e branco de Augustus De Morgan, de óculos redondos, cabelo escuro e cacheado e colarinho alto, visto de três quartos.
Augustus De Morgan, em foto de autor desconhecido, dos anos 1850 (Wikimedia Commons). Foi professor de matemática de Ada a partir de 1841, segundo a MacTutor 17.

Imagem: Autor desconhecido · Domínio público · Wikimedia Commons

Acredito possuir uma combinação singularíssima de qualidades, exatamente adequada para fazer de mim, de forma preeminente, uma descobridora das realidades ocultas da natureza.

Ada Lovelace · Carta de Ada à mãe, 6 de fevereiro de 1841, citada por Stephen Wolfram12tradução livre
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I believe myself to possess a most singular combination of qualities exactly fitted to make me pre-eminently a discoverer of the hidden realities of nature.

A Wikipédia registra que ela descrevia a própria abordagem como "ciência poética" e se definia como "analista (e metafísica)". 18 A Bodleian, que guarda os manuscritos dela, mostra como Ada desenvolveu as habilidades matemáticas de que precisaria para escrever o artigo de 1843. 5

Capítulo 3

As máquinas de Babbage

Em 5 de junho de 1833, aos 17 anos, Ada foi a uma festa em que conheceu Charles Babbage, então com 41. 61017 Semanas depois, Babbage mostrou a ela e à mãe dela uma parte da Máquina Diferencial, e Ada ficou fascinada. 71017 Segundo o Science Museum, ela chamou a máquina de joia de todos os mecanismos. 7

Gravura oval em preto e branco do rosto de Charles Babbage, de cabelos grisalhos e casaco escuro, com a legenda The late Mr. Babbage.
Charles Babbage em gravura publicada na Illustrated London News de 4 de novembro de 1871, derivada de uma fotografia de 1860 (Wikimedia Commons). Ada o conheceu em 1833 617.

Imagem: Autor anônimo (Illustrated London News) · Domínio público · Wikimedia Commons

A Máquina Diferencial nº 1 foi anunciada por Babbage em 14 de junho de 1822. 6 A seção construída pelo engenheiro Joseph Clement, com cerca de 2.000 peças, ficou pronta em 1832 e equivale a um sétimo do projeto completo. 6 O trabalho parou em 1833 depois de uma disputa com Clement, e o Tesouro britânico tinha gasto 17.500 libras na Máquina Diferencial. 6

Seção da Máquina Diferencial nº 1 de Babbage: torre de engrenagens e discos numerados de latão sobre uma base de madeira, com manivela preta.
A seção da Máquina Diferencial nº 1, montada em 1832 pelo engenheiro Joseph Clement, hoje no Science Museum, em Londres. Foi a máquina que Ada viu em 1833 67.

Imagem: Science Museum London / Science and Society Picture Library · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

Em 1834, com a Máquina Diferencial parada, Babbage concebeu algo mais ambicioso: a Máquina Analítica, projetada para avaliar qualquer fórmula matemática e considerada pelo Science Museum a primeira máquina de calcular totalmente automática. 6 Ela seria programada por cartões perfurados, como os dos teares de Jacquard. 5 Baralhos separados de cartões formavam o que hoje chamaríamos de programa e davam os valores iniciais, e um mecanismo complexo permitia repetir um baralho, para executar um laço. 5

Peça de teste da Máquina Analítica: estrutura de latão com fileiras de hastes horizontais e eixos de engrenagens, sobre uma base escura, dentro de uma vitrine.
A peça de teste da Máquina Analítica, no Science Museum, em Londres. Só parte da máquina estava pronta quando Babbage morreu, em 1871 6.

Imagem: Daderot · CC0 1.0 · Wikimedia Commons

Babbage nunca terminou a Máquina Analítica. Segundo o Science Museum, só parte dela, uma peça de teste, estava pronta quando ele morreu, em 1871; a máquina completa teria o tamanho de uma pequena locomotiva e seria movida a vapor. 6 Quem mostrou que os desenhos de Babbage eram sérios foi o próprio museu: a Máquina Diferencial nº 2, desenhada entre 1847 e 1849, começou a ser construída em 1985, teve a primeira fase concluída em 1991, foi terminada em 2002 com o mecanismo de impressão e funciona girando uma manivela. 6

Máquina Diferencial nº 2 de Babbage dentro de uma vitrine de vidro no Science Museum: colunas de engrenagens de metal, mecanismo de impressão e manivela.
A Máquina Diferencial nº 2, desenhada por Babbage entre 1847 e 1849 e construída pelo Science Museum, que a terminou em 2002 (foto de 2006) 6.

Imagem: Marcin Wichary · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Capítulo 4

Turim, Menabrea e uma tradução

Em 1840, cientistas italianos convidaram Babbage a Turim, onde ele deu uma palestra sobre os princípios da Máquina Analítica. 5 Na plateia estava Luigi Menabrea, engenheiro militar que se tornaria primeiro-ministro da Itália. 212 Em outubro de 1842, ele publicou em francês, na Bibliothèque Universelle de Genève, o primeiro relato da máquina. 25

Fotografia oval em preto e branco de Luigi Menabrea, homem de bigode, de uniforme militar com cordões, faixa e várias condecorações no peito.
Luigi Federico Menabrea, de uniforme, em fotografia atribuída aos irmãos Alinari, de data desconhecida (Wikimedia Commons). Ele publicou o primeiro relato da máquina, em 1842 25.

Imagem: Gebrüder Alinari · Domínio público · Wikimedia Commons

O texto de Menabrea já trazia exemplos: tabelas com a sequência de operações que os cartões comandariam para resolver duas equações do primeiro grau com duas incógnitas. 2 O verbete da History of Information chama esses quadros de os primeiros programas de computador e diz que eles saíram dos desenhos que Babbage levara a Turim. 20 Esses quadros já estavam impressos na memória que Ada traduziu. 2

Como surgiu a tradução? Babbage escreveu, em 1864, que Ada lhe contou ter traduzido a memória; ele perguntou por que ela não escrevera um artigo original, ela respondeu que a ideia não lhe ocorrera, e ele então sugeriu que acrescentasse notas. 3 A Bodleian dá outra ordem: o amigo Charles Wheatstone pediu a Ada que traduzisse o artigo, e Babbage sugeriu que ela o ampliasse com apêndices. 5 Wolfram observa que Babbage só contou a versão dele muitos anos depois e que, em fevereiro de 1843, Ada já resolvera acrescentar notas. 12

Ela trabalhou entre fevereiro e setembro de 1843, segundo Kim e Toole, discutindo o andamento com Babbage em cartas e em conversas. 10 Wolfram descreve cartas quase diárias, que lembram mensagens de um projeto de hoje: Ada fazia perguntas, Babbage respondia, ela resolvia e ele comentava. 12 O artigo saiu na Scientific Memoirs, de Richard Taylor, e a tradução e as notas somam as páginas 666 a 731 do volume 3. 518

Página 666 do volume 3 da Scientific Memoirs, com o título do artigo de Menabrea e anotações manuscritas a lápis e tinta nas margens.
Primeira página do artigo (p. 666) em um exemplar de Charles Sumner na Houghton Library, de Harvard. A tradução e as notas de Ada ocupam as páginas 666 a 731 518.

Imagem: Charles Sumner (exemplar da Houghton Library, Harvard University) · Domínio público · Wikimedia Commons

Ada assinou apenas com as iniciais A.A.L. 515 Segundo Wolfram, o marido dela, William, foi quem sugeriu assinar, e ela escreveu a Babbage que não queria proclamar quem escrevera o texto, mas queria acrescentar algo que o identificasse com as outras produções da dita A.A.L. 12

Capítulo 5

As Notas A a G: o tear e o laço

As notas se chamam Notas da Tradutora e vão de A a G; a Nota A está ligada à página 674 do artigo e a Nota G, à página 689. 1 A Nota A explica a diferença entre as duas máquinas: a Máquina Diferencial tabula uma função específica (a que tem a sétima diferença igual a zero), e a Analítica foi pensada para desenvolver e tabular qualquer função. 1

O traço que separa as duas, escreveu ela, é a introdução do princípio que Jacquard criou para regular, por cartões perfurados, os padrões mais complicados dos tecidos brocados. 1 Ada diz que é aí que reside muito mais originalidade do que a Máquina Diferencial pode reclamar com justiça. 1 Menabrea explicara que o tear impede certos fios de cruzar a trama numa sucessão determinada pelo desenho, e que a Máquina Analítica tomou essa solução emprestada, com dois tipos de cartões: os de operação, que dispõem a máquina para somar, subtrair, multiplicar e dividir, e os das variáveis, que indicam em quais colunas agir. 2

Tear de Jacquard com um baralho de cartões perfurados de madeira pendurado ao lado e feixes de fios verticais à esquerda.
Tear de Jacquard com cartões perfurados no Museu Nacional da Escócia, em foto de 2019. Ada comparou a Máquina Analítica a esse tipo de tear 1.

Imagem: Stephencdickson · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

A Bodleian destaca um princípio que Ada formulou: as operações, definidas pelos cartões, são separadas dos dados e dos resultados. 5 Nas Notas C e E, ela trata da repetição de cartões: o prisma sobre o qual os cartões giram pode rodar para trás e trazer de volta um cartão, ou um grupo deles, para ser usado outra vez. 1 Na Nota G ela aplica a notação de ciclos explicada na Nota E; Wolfram identifica esses ciclos, e os ciclos dentro de ciclos, com o que hoje chamamos de laços e laços aninhados. 112

A Nota F mostra o ganho com números. Para eliminar nove variáveis de dez equações simples, o total de operações é 9·10 + 8·9 + ... + 1·2, igual a 330, e três cartões de operação fariam o trabalho dos 330. 1 Ela lembra que existe um retrato de Jacquard tecido para o qual foram necessários 24.000 cartões. 1 E acrescenta que uma fórmula não precisa ter sido resolvida antes para que a máquina a resolva: basta conhecer a série de operações. 1

Capítulo 6

Além do número, e a objeção que Turing herdou

Na Nota A, depois de explicar que o mecanismo pode ser posto em ação mesmo sem um objeto sobre o qual operar, Ada escreve que a máquina poderia atuar sobre outras coisas além de números, desde que as relações fundamentais entre elas pudessem ser expressas pela ciência abstrata das operações. 1 E dá um exemplo.

Supondo, por exemplo, que as relações fundamentais dos sons de diferentes alturas, na ciência da harmonia e da composição musical, fossem suscetíveis dessa expressão e dessas adaptações, a máquina poderia compor peças musicais elaboradas e científicas, de qualquer grau de complexidade ou extensão.

Ada Lovelace · Nota A das Notas da Tradutora, em Scientific Memoirs, volume 3, 18431tradução livre
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Supposing, for instance, that the fundamental relations of pitched sounds in the science of harmony and of musical composition were susceptible of such expression and adaptations, the engine might compose elaborate and scientific pieces of music of any degree of complexity or extent.

O Science Museum diz que esse salto conceitual marca a pré-história da era do computador e só foi plenamente apreciado um século depois, com a computação eletrônica. 6 Doron Swade, em trecho citado pela Wikipédia, afirma que Ada viu algo que Babbage em certo sentido não viu: que número pode representar outras entidades, como letras ou notas musicais, e que a passagem de uma máquina de calcular para uma máquina que manipula símbolos segundo regras é a passagem do cálculo à computação, feita de forma explícita por ela no artigo de 1843. 18

A Nota G traz uma cautela. Ada começa pedindo que se evitem ideias exageradas sobre os poderes da máquina. 1 Depois escreve a frase que ficaria mais famosa. 1

A Máquina Analítica não tem pretensão alguma de originar coisa alguma. Ela pode fazer tudo o que soubermos ordenar que faça.

Ada Lovelace · Nota G das Notas da Tradutora, em Scientific Memoirs, volume 3, 18431tradução livre
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The Analytical Engine has no pretensions whatever to originate any thing. It can do whatever we know how to order it to perform.

Ela segue: a máquina pode seguir a análise, mas não tem poder de antecipar relações ou verdades analíticas, e sua função é ajudar a tornar disponível o que já conhecemos. 1 Ao mesmo tempo, diz, organizar as verdades da análise para que a máquina as execute joga novas luzes sobre os assuntos e os investiga mais a fundo. 1 Em 1950, no artigo Computing Machinery and Intelligence, Turing dedicou uma seção à objeção de Lady Lovelace. 4

Turing escreveu que a Máquina Analítica era um computador digital universal, de modo que, com armazenamento e velocidade adequados e programação conveniente, poderia imitar outras máquinas. 4 Disse ainda que provavelmente esse argumento não ocorreu à condessa nem a Babbage e que eles não tinham obrigação de afirmar tudo o que poderia ser afirmado. 4 A Bodleian resume a resposta: podemos ordenar à máquina que produza respostas que nós mesmos não saberíamos prever. 5

Capítulo 7

A Nota G e os números de Bernoulli

Ada encerra as notas com um exemplo longo: acompanhar em detalhe os passos pelos quais a máquina calcularia os números de Bernoulli, que ela descreve como um exemplo bastante complicado dos poderes do engenho. 1 Ela não escolheu o caminho mais simples. A Bodleian cita a frase dela: o objetivo não era a simplicidade nem a facilidade do cálculo, mas a ilustração dos poderes da máquina. 5

O resultado é um grande quadro: colunas para os dados, as variáveis de trabalho e os resultados, e uma linha para cada operação. 15 O exemplo calcula o quarto número de Bernoulli diferente de zero, que Ada chama de B7, e usa 25 operações numeradas, com as operações 13 a 23 repetidas. 110 A Bodleian chama o quadro, na linguagem de hoje, de rastro de execução: o programa de fato seriam os baralhos de cartões. 5

Quadro impresso com colunas de operações, variáveis e resultados do cálculo dos números de Bernoulli na Nota G de Ada Lovelace.
O diagrama da Nota G, "Diagram for the computation by the Engine of the Numbers of Bernoulli", de 1843. A Bodleian o chama, na linguagem de hoje, de rastro de execução 15.

Imagem: Ada Lovelace · Domínio público · Wikimedia Commons

Como a ideia nasceu? Kim e Toole citam uma carta de Ada a Babbage de julho de 1843. 10

Quero incluir algo sobre os Números de Bernoulli, em uma das minhas Notas, como exemplo de como uma função implícita pode ser resolvida pela máquina, sem ter sido resolvida antes por cabeça e mãos humanas. Dê-me os dados e as fórmulas necessários.

Ada Lovelace · Carta a Charles Babbage, julho de 1843, citada pela Scientific American (1999)10tradução livre
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I want to put in something about Bernoulli's Numbers, in one of my Notes, as an example of how an implicit function may be worked out by the engine, without having been worked out by human head & hands first. Give me the necessary data & formulae.

Segundo Kim e Toole, a carta mostra que a ideia de incluir um programa de números de Bernoulli foi de Ada e que Babbage forneceu pelo menos as fórmulas. 10 Wolfram cita outra carta, em que ela diz estar num "quagmire & botheration" (atoleiro e amolação) com esses números e não conseguir terminar o trabalho naquele dia. 12 Depois, escreveu o trecho seguinte. 1012

Trabalhei sem parar, e com muito sucesso, o dia inteiro. Você vai admirar muitíssimo a Tabela e o Diagrama. Foram feitos com extremo cuidado, e todos os índices atendidos com a maior minúcia e escrúpulo.

Ada Lovelace · Carta a Charles Babbage, 1843, citada por Eugene Eric Kim (2017)11tradução livre
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I have worked incessantly, & most successfully, all day. You will admire the Table & Diagram extremely. They have been made out with extreme care, & all the indices most minutely & scrupulously attended to.

Segundo Wolfram, o marido dela, William, estava naquele momento passando tinta no desenho, que Ada fizera a lápis. 12

Capítulo 8

De quem é o programa?

A primeira dificuldade é de vocabulário. Segundo Swade, nem Ada nem Babbage usaram a palavra programa, e hoje ela é empregada por conveniência e de forma anacrônica. 9 A Bodleian lembra que o programa de fato seriam os baralhos de cartões, e que os desenhos de Babbage são pouco claros sobre como os cartões seriam manuseados, o que torna difícil reconstruir o programa exato. 5

A segunda é cronológica. O Science Museum afirma que o artigo de Ada incluiu o primeiro algoritmo publicado para a máquina e que Babbage já havia esboçado algoritmos semelhantes em seus cadernos. 7 Swade conta que, entre 1837 e 1840, Babbage escreveu cerca de duas dúzias de programas, ao menos dois com relações de recorrência, mas nenhum que exigisse guardar e reaproveitar todos os resultados anteriores, como o exemplo dos números de Bernoulli. 9 Kim e Toole dizem que Babbage escreveu pequenos programas em 1836 e 1837, nenhum com a complexidade do de Bernoulli. 1011

Aí entra a pergunta sobre quem fez o quê. Um lado é o de Allan Bromley, que, segundo Swade, estudou os desenhos de Babbage com mais detalhe do que qualquer outro. 9 Em ensaio de 1990, citado pela Wikipédia, Bromley escreveu que quase todos os programas citados nas notas haviam sido preparados por Babbage de três a sete anos antes, que a exceção foi preparada por Babbage para ela e que não há evidência de que Ada tenha preparado um programa para a máquina. 18

O outro lado é o de Wolfram, que examinou documentos originais. Ele diz que, entre os esboços de Babbage guardados no Science Museum, não achou nada tão sofisticado nem tão limpo quanto o cálculo dos números de Bernoulli de Ada, e que Babbage ajudou e comentou, mas ela foi quem conduziu o trabalho. 12 Para Wolfram, a principal contribuição dela foi extrair das cartas de Babbage uma exposição clara da operação abstrata da máquina, coisa que Babbage nunca fez. 12 Kim e Toole propõem um meio-termo: Babbage caracterizou Ada como sua intérprete, discutiu as notas e viu rascunhos, mas não há dúvida de que ela foi a autora. 10

Discutimos juntos as várias ilustrações que poderiam ser introduzidas: sugeri várias, mas a seleção foi inteiramente dela. Também foi dela a elaboração algébrica dos diferentes problemas, exceto a relativa aos números de Bernoulli, que eu me havia oferecido para fazer, para poupar Lady Lovelace do trabalho. Ela a devolveu para que eu a corrigisse, tendo detectado um erro grave que eu cometera no processo.

Charles Babbage · Passages from the Life of a Philosopher, 1864, capítulo VIII3tradução livre
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We discussed together the various illustrations that might be introduced: I suggested several, but the selection was entirely her own. So also was the algebraic working out of the different problems, except, indeed, that relating to the numbers of Bernouilli, which I had offered to do to save Lady Lovelace the trouble. This she sent back to me for an amendment, having detected a grave mistake which I had made in the process.

O texto de Babbage serve às duas leituras: confirma que a seleção e a álgebra foram dela, e também que a parte dos números de Bernoulli foi, a princípio, oferecida por ele. 3 Wolfram nota que a passagem diz pouco além de que Babbage sugeriu exemplos que Ada pode ou não ter usado. 12 O que sobra de registro é escasso: Kim e Toole dizem que o que se sabe vem das cartas entre os dois, dos cadernos e da autobiografia de Babbage e das notas publicadas, e que o caderno de Ada se perdeu. 10

Por isso as fontes mais cautelosas falam em "primeiro algoritmo publicado", como o Science Museum, ou em tabela "frequentemente descrita" como o primeiro programa, como a Bodleian, em vez de afirmar que ela foi a primeira programadora. 75 Os contrapontos, no fim da página, reúnem as leituras e as fontes de cada uma.

Capítulo 9

O prefácio, a proposta e a amizade

Em agosto de 1843, perto do fim do trabalho, Babbage quis incluir nas notas um prefácio, sem assinatura, em que criticava a falta de apoio do governo britânico à Máquina Analítica. 1012 Ada recusou e ficou furiosa; segundo Wolfram, Babbage chegou a sugerir que, sem o prefácio, a publicação toda fosse retirada. 12 Segundo Kim e Toole, eles acabaram resolvendo as diferenças, e o prefácio saiu depois, separado e anônimo. 10

Foi naquele agosto que Ada escreveu a Babbage uma carta de 16 páginas, segundo Wolfram. 12 Nela propunha, em termos práticos, assumir a condução dos negócios de Babbage para que ele se dedicasse inteiramente à execução da máquina. 12 Na carta ela diz que o objetivo dela era amar a verdade e Deus antes da fama e da glória, e que o dele era amar a verdade e Deus, mas amar ainda mais a fama, a glória e as honras; sem negar, porém, a ambição que também a movia. 12

Eu me pergunto se você vai querer manter ou não a dama-fada a seu serviço.

Ada Lovelace · Fecho da carta a Babbage de 14 de agosto de 1843, citada por Stephen Wolfram12tradução livre
Ler no original

I wonder if you will choose to retain the lady-fairy in your service or not.

A resposta de Babbage, segundo Wolfram, foi anotar na cópia da carta que recusara todas as condições. 12 A Bodleian confirma que ele não aceitou a oferta dela de se envolver mais na organização da construção da máquina. 5 Mesmo assim a relação seguiu: Wolfram cita uma carta de Babbage de 9 de setembro de 1843 em que ele a chama de "Enchantress of Number" (Encantadora do Número), no singular, ao contrário do que costumam citar. 12

Aquela Encantadora que lançou seu feitiço mágico sobre a mais abstrata das Ciências e a dominou com uma força que poucos intelectos masculinos (em nosso país, pelo menos) poderiam ter exercido sobre ela.

Charles Babbage · Carta a Michael Faraday, citada pela Bodleian Libraries (2018)5tradução livre
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that Enchantress who has thrown her magical spell around the most abstract of Sciences and has grasped it with a force which few masculine intellects (in our own country at least) could have exerted over it.

Antes disso, ao ler o rascunho da Nota A, Babbage respondeu, segundo Kim e Toole, que relutava em devolver a admirável e filosófica Nota A e pediu que ela não a alterasse. 10 Os dois não colaboraram de novo, mas continuaram amigos: a Bodleian diz que as cartas de Ada a Babbage falam de livros de matemática, dos filhos e dos cachorros, galinhas e estorninhos dela. 5 Em cartas à mãe, citadas por Wolfram, Ada disse que ela e William não queriam fazer segredo da autoria, mas que ela não desejava que a importância do trabalho fosse exagerada. 12

Capítulo 10

Depois das Notas: a doença, a morte e a redescoberta

Depois da publicação, a saúde de Ada piorou e ela passou meses entre médicos e tratamentos, segundo Wolfram. 12 Os planos científicos continuaram. Em 1844, escreveu a um amigo que esperava legar às gerações um cálculo do sistema nervoso. 1218 A MacTutor registra que ela considerou escrever uma longa resenha sobre o trabalho de Ohm acerca de séries galvânicas, mas que Babbage, que ela procurava em busca de estímulo, não lhe deu o apoio de que precisava. 17

Não me parece que a matéria cerebral precise ser mais intratável para os matemáticos do que a matéria e os movimentos siderais e planetários, se eles a examinassem do ponto de vista correto. Espero legar às gerações um Cálculo do Sistema Nervoso.

Ada Lovelace · Carta de 1844 a um amigo, citada por Stephen Wolfram12tradução livre
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It does not appear to me that cerebral matter need be more unmanageable to mathematicians than sidereal & planetary matter & movements; if they would but inspect it from the right point of view. I hope to bequeath to the generations a Calculus of the Nervous System.

Segundo a Wikipédia, ela nunca realizou esse projeto. 18 Wolfram observa que, por ser mulher, Ada não tinha acesso à biblioteca da Royal Society, em Londres, embora o marido fosse sócio. 12 Em 1852, os médicos admitiram que era câncer, provavelmente de colo de útero, segundo Wolfram. 12 Ada morreu em 27 de novembro de 1852, aos 36 anos, e foi enterrada, a pedido dela, ao lado do pai, na igreja de St Mary Magdalene, em Hucknall, Nottinghamshire. 101218

Igreja de pedra de St Mary Magdalene, em Hucknall, com torre de relógio, entrada com pórtico, gramado e uma cruz de pedra em primeiro plano.
Igreja de St Mary Magdalene, em Hucknall (Nottinghamshire), onde Ada foi enterrada ao lado do pai, a pedido dela (foto de 2008) 1018.

Imagem: Phil Evans · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

Segundo Wolfram, quando a programação começou a ser compreendida, nos anos 1940, a obra de Babbage e as notas de Ada foram redescobertas; Turing as leu e deu nome à objeção em 1950. 412 Ainda assim, o trabalho dela ficou relativamente obscuro até 1953, segundo Kim e Toole, quando Bertram Bowden compilou Faster than Thought, uma história dos computadores que mencionou Ada e a chamou de profeta. 10 A Wikipédia acrescenta que as notas foram reimpressas como apêndice do livro. 18

A National Geographic informa que, em 1979, uma linguagem de programação usada em sistemas de transporte e militares recebeu o nome Ada em homenagem a ela. 15 A Ada Resource Association diz que o nome não é sigla e que foi escolhido em honra de Lovelace, matemática "por vezes considerada" a primeira programadora do mundo. 19 Segundo a Wikipédia, o manual de referência foi aprovado em 10 de dezembro de 1980, aniversário de Ada, e a norma militar recebeu o número 1815, o ano em que ela nasceu. 18

A Wikipédia registra ainda a Ada Lovelace Day, celebrada na segunda terça-feira de outubro desde 2009 para dar visibilidade a mulheres na ciência, na tecnologia, na engenharia e na matemática, e uma estátua instalada em Westminster, em março de 2022. 18 O Computer History Museum dedicou ao bicentenário dela uma exposição, Thinking Big: Ada, Countess of Lovelace, e um debate em 19 de janeiro de 2016, com base nos papéis da Bodleian. 8 Em notícia de 16 de janeiro de 2026, a PetaPixel informa que a National Portrait Gallery, de Londres, adquiriu três daguerreótipos, dois deles de Antoine Claudet, de cerca de 1843, descritos como as únicas fotografias conhecidas dela. 16

Estátua de bronze de Ada Lovelace de vestido longo, no alto de um edifício claro, entre duas colunas douradas de cartões perfurados dobrados.
Estátua de Ada Lovelace em Millbank, Westminster, instalada em março de 2022 e esculpida por Etienne e Mary Millner a partir do retrato de Carpenter; foto de 30 de setembro de 2024 18.

Imagem: Matt Brown · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Quase dois séculos depois, a Bodleian escreve que o artigo de 1843 continua perfeitamente compreensível, ao passo que as máquinas de Babbage existem hoje como peças de museu. 56

Em destaqueMaiores feitos

  1. Página 666 do volume 3 da Scientific Memoirs, com o título do artigo de Menabrea e anotações manuscritas a lápis e tinta nas margens.
    1843

    A tradução e as Notas A a G

    Tradução para o inglês da memória de Menabrea sobre a Máquina Analítica, com sete notas assinadas A.A.L., publicada na Scientific Memoirs, volume 3. Das 66 páginas do artigo, 41 são apêndices dela, segundo a Bodleian. 15

    Imagem: Charles Sumner (exemplar da Houghton Library, Harvard University) · Domínio público · Wikimedia Commons

  2. Quadro impresso com colunas de operações, variáveis e resultados do cálculo dos números de Bernoulli na Nota G de Ada Lovelace.
    1843

    O quadro dos números de Bernoulli

    A Nota G descreve em 25 operações como a máquina calcularia o número que Ada chama de B7. O Science Museum o descreve como o primeiro algoritmo publicado para a Máquina Analítica; a Bodleian o descreve como um rastro de execução. 157

    Imagem: Ada Lovelace · Domínio público · Wikimedia Commons

  3. Tear de Jacquard com um baralho de cartões perfurados de madeira pendurado ao lado e feixes de fios verticais à esquerda.
    1843

    Cartões, ciclos e a separação entre operação e dado

    Ada explica que os cartões do tipo Jacquard comandam as operações sem conter os números, e descreve a repetição de cartões. Em um exemplo da Nota F, três cartões de operação fariam o trabalho de 330. 15

    Imagem: Stephencdickson · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

  4. Peça de teste da Máquina Analítica: estrutura de latão com fileiras de hastes horizontais e eixos de engrenagens, sobre uma base escura, dentro de uma vitrine.
    1843

    A máquina além do número

    Ada escreveu que a máquina poderia atuar sobre outras coisas além de números, e deu a composição musical como exemplo. O Science Museum diz que esse salto conceitual marca a pré-história da era do computador. 16

    Imagem: Daderot · CC0 1.0 · Wikimedia Commons

  5. 1843

    A objeção de Lady Lovelace

    Na Nota G, ela escreveu que a máquina não pretende originar coisa alguma. Turing, em 1950, deu à ideia o nome de objeção de Lady Lovelace e a discutiu em Computing Machinery and Intelligence. 14

  6. 1953

    A redescoberta

    Segundo Kim e Toole, o trabalho dela ficou relativamente obscuro até Bertram Bowden compilar Faster than Thought, que a chamou de profeta. A Wikipédia diz que as notas foram reimpressas como apêndice do livro. 1018

  7. 1980

    Uma linguagem com o nome dela

    A linguagem Ada, criada para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, foi batizada em honra de Ada Lovelace; a Wikipédia diz que o manual de referência foi aprovado em 10 de dezembro de 1980 e que a norma ganhou o número 1815, o ano do nascimento dela. 1819

Do começo até aquiLinha do tempo

  1. Nasce Ada Byron

    Em Piccadilly, Londres, filha de Lord Byron e de Anne Isabella Milbanke. 17

  2. Os pais se separam

    Ada tinha cinco semanas. 1718

  3. Morre Lord Byron

    Ele morre na Grécia, quando ela tem oito anos. 1718

  4. O sarampo

    A doença a deixa paralisada e em repouso por quase um ano. 18

  5. Conhece Charles Babbage

    Numa festa; semanas depois vê parte da Máquina Diferencial. 61017

  6. A Máquina Analítica e Mary Somerville

    Babbage concebe a Máquina Analítica; a MacTutor data deste ano o primeiro encontro de Ada com Mary Somerville. 617

  7. Casa-se com William King

    Em 1838 ele é feito conde de Lovelace, e ela vira condessa. 17

  8. Babbage em Turim

    Palestra sobre a Máquina Analítica a cientistas italianos, com Menabrea na plateia. 5

  9. Estudos avançados com De Morgan

    Segundo a MacTutor, começa o estudo avançado de matemática com Augustus De Morgan. 17

  10. Menabrea publica o relato

    A memória em francês sai na Bibliothèque Universelle de Genève. 25

  11. Começam as notas

    Kim e Toole datam de fevereiro a setembro de 1843 o trabalho nas notas. 10

  12. A ideia dos números de Bernoulli

    Carta a Babbage: quer incluir o exemplo e pede os dados e as fórmulas. 10

  13. Publicação em Scientific Memoirs

    Tradução e Notas A a G, volume 3, páginas 666 a 731, assinadas A.A.L. 518

  14. A carta de 16 páginas

    Propõe a Babbage assumir a condução dos negócios do projeto; ele recusa as condições. 12

  15. "Enchantress of Number"

    Babbage a chama assim numa carta, segundo Wolfram. 12

  16. O cálculo do sistema nervoso

    Escreve a um amigo que espera legar às gerações um cálculo do sistema nervoso. 12

  17. Morre aos 36 anos

    Em Marylebone, Londres, de câncer; é enterrada em Hucknall, ao lado do pai. 101217

  18. Babbage publica a autobiografia

    Em Passages from the Life of a Philosopher, comenta as notas e o erro que ela achou nos números de Bernoulli. 3

  19. Morre Babbage

    Só uma peça de teste da Máquina Analítica estava pronta. 6

  20. Turing e a objeção

    Turing discute a objeção de Lady Lovelace em Computing Machinery and Intelligence. 4

  21. Faster than Thought

    O livro de Bowden traz as notas de volta à atenção do público. 1018

  22. O manual da linguagem Ada

    Segundo a Wikipédia, o manual de referência é aprovado no aniversário de Ada. 18

  23. Exposição no Science Museum

    O museu anuncia a mostra sobre Ada, que vai até o fim de março de 2016, com parte da Máquina Diferencial que ela viu e uma seção da Analítica. 7

  24. Daguerreótipos na National Portrait Gallery

    Notícia da PetaPixel: a galeria adquiriu três daguerreótipos, descritos como as únicas fotografias dela. 16

Sem enfeiteO que a história também registra

Registros públicos e críticas documentadas, com a fonte de cada um. É parte da biografia, não um julgamento.

Babbage escreveu programas antes dela

O Science Museum afirma que o artigo de Ada incluiu o primeiro algoritmo publicado para a máquina e que Babbage já havia esboçado algoritmos semelhantes em seus cadernos. 7 Swade conta cerca de duas dúzias de programas de Babbage entre 1837 e 1840, sem nenhum que exigisse guardar todos os resultados anteriores como o exemplo de Bernoulli. 9 Kim e Toole escrevem que muita gente afirma, de forma incorreta, que Ada foi a primeira programadora, pois Babbage escreveu os primeiros programas, embora a maioria nunca tenha sido publicada. 10

Quem produziu o quadro da Nota G

Duas leituras convivem. Kim e Toole e Wolfram, com base nas cartas, entendem que Ada fez o quadro e conduziu o trabalho, e que Babbage ajudou com fórmulas. 1012 Bromley, citado pela Wikipédia, escreveu em 1990 que a correspondência mostra que ela não tinha o conhecimento para preparar um programa, e o verbete da History of Information diz que as cartas mostram uma talentosa novata que às vezes precisava da orientação de Babbage. 1820 Babbage escreveu em 1864 que a álgebra dos problemas era dela, exceto os números de Bernoulli, que ele se oferecera para fazer e cujo erro ela corrigiu. 3

"Primeira programadora" como rótulo

A Ada Resource Association diz que ela é por vezes considerada a primeira programadora do mundo. 19 A Bodleian diz que o quadro é com frequência descrito como o primeiro programa de computador, mas que o programa em si seriam os cartões. 5 Swade nota que nem Ada nem Babbage usaram a palavra programa. 9 A National Geographic escreve, sem ressalvas, que a Nota G foi o primeiro programa de computador. 15

A crítica de Dorothy Stein à competência matemática

Segundo Kim e Toole, Stein, em Ada: A Life and a Legacy (1985), sustentou que Ada era uma matemática incompetente, incapaz de escrever o programa de Bernoulli, com base num erro de tradução e em dificuldades com substituição funcional em cartas a tutores. 10 Kim e Toole respondem que o erro de tradução não pode ser atribuído a incompetência matemática, que não foi o único erro do artigo (a última nota ficou com as iniciais A.L.L., e não A.A.L.) e que o texto foi revisado por Babbage e outros, que também não o notaram. 110 Em 2017, Kim escreveu que, depois de ler as notas e os trabalhos que contestavam o papel dela, concluiu que as alegações eram infundadas. 11

O programa nunca rodou, e o quadro tem erros

A Máquina Analítica nunca foi construída, e o exemplo de Ada nunca foi executado. 618 Swade escreveu em 2016 que, sem alguma forma de endereçamento indexado ou relativo, não é evidente como o exemplo de Bernoulli, que guarda cada resultado num lugar novo do armazém, poderia rodar numa máquina do início da década de 1840, e que ele e os colegas não encontraram esse recurso nos desenhos; o texto conclui apenas que é incerto que o programa pudesse rodar. 9 Kim e Toole apontam um erro na operação 21 (o terceiro fator do denominador deveria ser 4, e não 3), e Wolfram aponta, na linha 4, uma fração de cabeça para baixo. 1012

A máquina não foi a ponte para os primeiros computadores

Kim e Toole escrevem que muitos pioneiros dos computadores modernos conheceram o trabalho de Babbage e o artigo de Ada, mas todos chegaram aos avanços conceituais de forma independente; Howard Aiken, que projetou e construiu o Mark I em 1944, se via como sucessor de Babbage mas não conhecia o trabalho de Ada. 10 A Wikipédia diz que a Máquina Analítica não influenciou a invenção dos computadores eletrônicos. 18 Wolfram diz que, nos anos 1940, quando a programação começou a ser compreendida, as notas foram redescobertas. 12

Leitura do autorO que fica

Isto é interpretação, não fato: o que esta história pode ensinar a quem constrói.

  1. Explicar bem também é criar

    Ada não projetou a máquina, e as fontes dizem que o projeto era de Babbage. O que a história dela mostra é o valor de quem consegue explicar o que outros construíram, com clareza suficiente para que o texto continue de pé quase dois séculos depois.

  2. Escreva para a máquina que ainda não existe

    O exemplo dos números de Bernoulli foi escrito para um equipamento que nunca funcionou. Pensar o software contra uma máquina imaginada obrigou a decidir o que cada passo exigia, e é por isso que o exemplo ainda é estudado.

  3. Separe o que a máquina faz do que ela processa

    Os cartões de Ada dizem quais operações fazer, e as colunas guardam os números. Dividir instruções e dados é uma ideia que atravessa toda a computação, e ela a enxergou ao descrever um tear.

  4. Documente o seu trabalho para o crédito ser verificável

    Boa parte da disputa sobre o que é de Ada e o que é de Babbage existe porque restaram poucos registros, e o caderno dela se perdeu. Quem produz algo com outra pessoa ganha ao guardar rascunhos, datas e versões.

  5. Desconfie do exagero, inclusive do elogio

    A própria Ada abriu a Nota G pedindo que não se exagerassem os poderes da máquina. Se a cautela vale para a tecnologia, vale para as biografias: um rótulo como "primeira programadora" resume demais, e as fontes pedem mais precisão.

  6. Proponha o papel que você quer

    Na carta de agosto de 1843, ela propôs assumir a condução do projeto de Babbage. Foi recusada, mas a proposta mostra que ousadia profissional também é dizer com clareza qual papel se quer e em quais condições.

Respostas rápidasPerguntas frequentes

Quando Ada Lovelace nasceu e morreu?

Nasceu em 10 de dezembro de 1815 e morreu em 27 de novembro de 1852, aos 36 anos. 121517 Alguns textos dão 37 anos, mas as duas datas indicam 36. 1417

Ada Lovelace foi a primeira programadora?

Depende da definição. O Science Museum diz que o artigo dela incluiu o primeiro algoritmo publicado para a máquina e que Babbage já esboçara algoritmos semelhantes. 7 Kim e Toole escrevem que quem diz que ela foi a primeira programadora está incorreto, pois Babbage escreveu os primeiros programas, e que quem nega a autoria dela também erra. 10

O que são as Notas de Ada Lovelace?

São sete notas, de A a G, que ela acrescentou à sua tradução de uma memória de Menabrea sobre a Máquina Analítica, publicadas em 1843 e assinadas A.A.L. 15

O que a Nota G calcula?

Descreve em 25 operações como a máquina calcularia números de Bernoulli, tomando como exemplo o que ela chama de B7. 110 O exemplo nunca foi executado, porque a máquina nunca foi construída. 18

Ada Lovelace escreveu sobre música?

Na Nota A ela escreveu que, se as relações fundamentais dos sons na harmonia e na composição pudessem ser expressas pela ciência das operações, a máquina poderia compor peças musicais elaboradas. 1

A linguagem Ada tem o nome dela?

Sim. A Ada Resource Association diz que o nome não é uma sigla e foi escolhido em honra de Augusta Ada Lovelace. 19

A Máquina Analítica foi construída?

Não. Segundo o Science Museum, só parte dela, uma peça de teste, estava pronta quando Babbage morreu, em 1871. 6 O museu construiu a Máquina Diferencial nº 2, terminada em 2002. 6

Quer mais?Para ir além

  • Ada Lovelace: The Making of a Computer ScientistChristopher Hollings, Ursula Martin e Adrian Rice, 2018. Livro da Bodleian Library Publishing, baseado nos manuscritos de Ada guardados na Bodleian; o endereço leva a um artigo dos autores adaptado do capítulo 7.
  • Ada, the Enchantress of NumbersBetty Alexandra Toole, 1992. Seleção de cartas de Ada, organizada por uma das autoras do artigo da Scientific American citado aqui.
  • Ada: A Life and a LegacyDorothy Stein, 1985. Biografia crítica, citada por Kim e Toole como a obra de maior destaque entre as que contestam o papel de Ada.
  • Untangling the Tale of Ada LovelaceStephen Wolfram, 2015. Ensaio longo, com cartas e documentos originais, sobre Ada, Babbage e o debate do crédito.
  • How we got to where we are (Plan 28)Doron Swade, 2016. Texto curto sobre a dificuldade técnica do exemplo dos números de Bernoulli na máquina dos anos 1840.
  • Passages from the Life of a PhilosopherCharles Babbage, 1864. Autobiografia de Babbage; o capítulo VIII trata da Máquina Analítica e das notas de Ada.

Onde conferirFontes

Cada número no texto aponta para uma destas fontes, abertas e lidas por quem escreveu em 29 de outubro de 2026.

  1. 1Sketch of the Analytical Engine invented by Charles Babbage, Esq.: Notes by the TranslatorFonte primáriaScientific Memoirs, vol. 3 (Richard Taylor, 1843), transcrição na Wikisource, Augusta Ada Lovelace (A.A.L.), 1843. Acessada em 29 de outubro de 2026. As Notas A a G, lidas por inteiro nesta transcrição.
  2. 2Sketch of the Analytical Engine invented by Charles Babbage, Esq. (memória de Menabrea, traduzida por Ada)Fonte primáriaScientific Memoirs, vol. 3 (Richard Taylor, 1843), transcrição na Wikisource, Luigi Federico Menabrea; tradução de Augusta Ada Lovelace, 1843. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  3. 3Passages from the Life of a PhilosopherFonte primáriaLongman, Green, Longman, Roberts & Green, 1864; Project Gutenberg, Charles Babbage, 1864. Acessada em 29 de outubro de 2026. Capítulo VIII, sobre a Máquina Analítica e as notas da condessa de Lovelace.
  4. 4Computing Machinery and IntelligenceFonte primáriaMind, vol. 59, n. 236, 1950 (cópia em PDF no site da UMBC), Alan M. Turing, 1950. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  5. 5Ada Lovelace and the Analytical EngineInstituiçãoBodleian Libraries, blog Ada Lovelace, Christopher Hollings, Ursula Martin e Adrian Rice, 2018-07-26. Acessada em 29 de outubro de 2026. Adaptado do capítulo 7 de Ada Lovelace: The Making of a Computer Scientist (Bodleian Library Publishing, 2018).
  6. 6Charles Babbage's Difference Engines and the Science MuseumInstituiçãoScience Museum Group. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  7. 7Ada Lovelace: visionary of the computer ageInstituiçãoScience Museum, blog, Katherine Platt, 2015-10-13. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  8. 8Thinking Big: Ada Lovelace, Mathematician and VisionaryInstituiçãoComputer History Museum, 2016-01-19. Acessada em 29 de outubro de 2026. Página do evento do bicentenário, no CHM, com Ursula Martin, Betty Toole e Tim Robinson.
  9. 9How we got to where we areInstituiçãoPlan 28 (blog), Doron Swade, 2016-10-07. Acessada em 29 de outubro de 2026. Texto de Doron Swade no blog do projeto Plan 28, que estuda a Máquina Analítica.
  10. 10Ada and the First ComputerImprensaScientific American, vol. 280, n. 5, maio de 1999 (cópia em PDF no site da Universidade da Virgínia), Eugene Eric Kim e Betty Alexandra Toole, 1999-05-01. Acessada em 29 de outubro de 2026. Artigo lido por inteiro na cópia em PDF.
  11. 11Misogyny and the Curious Case of Ada LovelaceFonte primáriaeekim.com (blog do autor), Eugene Eric Kim, 2017-03-08. Acessada em 29 de outubro de 2026. Posição do próprio Kim, coautor do artigo da Scientific American, sobre o debate.
  12. 12Untangling the Tale of Ada LovelaceImprensaStephen Wolfram Writings, Stephen Wolfram, 2015-12-10. Acessada em 29 de outubro de 2026. Ensaio longo publicado no blog do autor, com cartas e documentos originais consultados em arquivos.
  13. 13Mathematical winters: Ada Lovelace, 200 years onImprensaThe Conversation, Ursula Martin, 2015-12-29. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  14. 14Ada Lovelace's skills with language, music and needlepoint contributed to her pioneering work in computingImprensaThe Conversation, Corinna Schlombs, 2022-12-08. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  15. 15This 'Countess of Computing' wrote the first computer programImprensaNational Geographic, Katie Thornton, 2022-03-17. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  16. 16Only Known Daguerreotype Photos of Computer Pioneer Ada Lovelace Join UK National Portrait Gallery CollectionImprensaPetaPixel, 2026-01-16. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  17. 17Ada Lovelace (Augusta Ada Byron King, Countess of Lovelace)EnciclopédiaMacTutor History of Mathematics, Universidade de St Andrews. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  18. 18Ada LovelaceEnciclopédiaWikipédia em inglês. Acessada em 29 de outubro de 2026. Usada para se orientar e para as citações de Bromley e Swade; cada ponto foi conferido em outra fonte quando possível.
  19. 19Ada OverviewInstituiçãoAda Resource Association. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  20. 20The First Published Computer Programs, Translated and Augmented by Lord Byron's DaughterEnciclopédiaHistory of Information. Acessada em 29 de outubro de 2026.
Créditos das imagens
  • Detalhe de uma aquarela de Alfred Edward Chalon, datada de cerca de 1840 pela Wikimedia Commons. Fonte do contexto: Schlombs, 2022. Imagem de Alfred Edward Chalon, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Retrato de Ada por Margaret Sarah Carpenter, de 1836 (data da Wikimedia Commons). A Wikipédia diz que a estátua de Westminster se baseia neste retrato. Imagem de Margaret Sarah Carpenter, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Lord Byron, retrato de Thomas Phillips, de 1813 (data da Wikimedia Commons). Ele e Lady Byron se separaram em janeiro de 1816, quando Ada tinha cinco semanas. Imagem de Thomas Phillips, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Mary Somerville em litografia de cerca de 1833 a partir de um retrato de Thomas Phillips (British Museum, via Wikimedia Commons). Somerville foi tutora e amiga de Ada. Imagem de Thomas Phillips (original); Graf & Soret (impressão); gravação atribuída a Harriet Gunn, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Augustus De Morgan, em foto de autor desconhecido, dos anos 1850 (Wikimedia Commons). Foi professor de matemática de Ada a partir de 1841, segundo a MacTutor. Imagem de Autor desconhecido, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Charles Babbage em gravura publicada na Illustrated London News de 4 de novembro de 1871, derivada de uma fotografia de 1860 (Wikimedia Commons). Ada o conheceu em 1833. Imagem de Autor anônimo (Illustrated London News), Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • A seção da Máquina Diferencial nº 1, montada em 1832 pelo engenheiro Joseph Clement, hoje no Science Museum, em Londres. Foi a máquina que Ada viu em 1833. Imagem de Science Museum London / Science and Society Picture Library, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.
  • A Máquina Diferencial nº 2, desenhada por Babbage entre 1847 e 1849 e construída pelo Science Museum, que a terminou em 2002 (foto de 2006). Imagem de Marcin Wichary, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.
  • A peça de teste da Máquina Analítica, no Science Museum, em Londres. Só parte da máquina estava pronta quando Babbage morreu, em 1871. Imagem de Daderot, CC0 1.0, via Wikimedia Commons.
  • Tear de Jacquard com cartões perfurados no Museu Nacional da Escócia, em foto de 2019. Ada comparou a Máquina Analítica a esse tipo de tear. Imagem de Stephencdickson, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
  • Luigi Federico Menabrea, de uniforme, em fotografia atribuída aos irmãos Alinari, de data desconhecida (Wikimedia Commons). Ele publicou o primeiro relato da máquina, em 1842. Imagem de Gebrüder Alinari, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Primeira página do artigo (p. 666) em um exemplar de Charles Sumner na Houghton Library, de Harvard. A tradução e as notas de Ada ocupam as páginas 666 a 731. Imagem de Charles Sumner (exemplar da Houghton Library, Harvard University), Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • O diagrama da Nota G, "Diagram for the computation by the Engine of the Numbers of Bernoulli", de 1843. A Bodleian o chama, na linguagem de hoje, de rastro de execução. Imagem de Ada Lovelace, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Igreja de St Mary Magdalene, em Hucknall (Nottinghamshire), onde Ada foi enterrada ao lado do pai, a pedido dela (foto de 2008). Imagem de Phil Evans, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.
  • Estátua de Ada Lovelace em Millbank, Westminster, instalada em março de 2022 e esculpida por Etienne e Mary Millner a partir do retrato de Carpenter; foto de 30 de setembro de 2024. Imagem de Matt Brown, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

Os textos são nossos, escritos a partir das fontes acima. Frases entre aspas são das pessoas citadas; as traduções são livres e trazem o original à mão. Fatos sobre pessoas vivas valem até 1 de outubro de 2026. Achou um erro? Avise pelo contato.

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