Trajetórias
Sobre
Retrato em preto e branco de Alberto Santos-Dumont, sentado, de terno e gravata, com o braço direito apoiado no encosto da cadeira.

Imagem: Zaida Ben-Yusuf · Domínio público · Wikimedia Commons

Aeronauta e inventor · Construtor de balões dirigíveis · Autor do 14-bis e da Demoiselle

Alberto Santos-Dumont: do menino das máquinas de café ao homem que voou em Paris

Em 1901 contornou a Torre Eiffel num dirigível e, em 1906, voou 220 metros no 14-bis; depois deixou as plantas da Demoiselle ao mundo.

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Quantas vezes já me provaram que as coisas eram impossíveis! Hoje estou acostumado e já espero por isso.

Alberto Santos-Dumont · Autobiografia publicada em 1904 (edição inglesa My Airships), capítulo IV, sobre a construção do balão Brasil1tradução livre
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How often have things been proved to me impossible! Now I am used to it I expect it.

Em resumoQuem é e por que importa

Alberto Santos-Dumont nasceu em 20 de julho de 1873, na fazenda Cabangu, em Minas Gerais, e morreu em 23 de julho de 1932, no Guarujá, em São Paulo. 411 Filho de um engenheiro que fundou plantações de café, passou a morar em Paris em 1892 e ficou famoso ali por duas máquinas. 111 A primeira foi o dirigível N.º 6, com o qual contornou a Torre Eiffel em 19 de outubro de 1901. 14 A segunda foi o 14-bis, um aeroplano com o qual voou 220 metros em 12 de novembro de 1906, num campo de Paris, sob o controle do Aeroclube da França. 411

Há três razões para contar esta história com cuidado. A primeira é o que ele construiu, quase sempre leve, simples e testado em público: o balão Brasil, de 113 metros cúbicos, o dirigível N.º 9, que ele estacionava diante do próprio apartamento, e a Demoiselle, de bambu e seda. 1911 A segunda é o que ele deixou aberto: em 1910, a revista americana Popular Mechanics publicou os planos da Demoiselle depois de ele anunciar que os daria ao mundo, e as fontes dizem que ele não patenteou o projeto. 3911 A terceira é a disputa de primazia com os irmãos Wright, que esta página relata sem escolher lado. 51121

A biografia segue da fazenda de café até julho de 1932, com datas, números e a fonte de cada fato entre colchetes. Ela inclui os pontos em que as fontes divergem: o tempo do prêmio Deutsch, as distâncias do 14-bis, quantas Demoiselles foram feitas e o registro da morte, que é tratado com o respeito que o tema pede. 12811

113 m³volume do balão Brasil, que ele descreve como o menor balão esférico já feito 1
22 diaspara construir o dirigível N.º 6, depois da queda do N.º 5, em agosto de 1901 1
9 minda largada à volta da Torre Eiffel, em 19 de outubro de 1901, segundo ele 1
75 mil fr.francos que ele diz ter entregue ao chefe de polícia de Paris para os pobres 1
60 mdistância do voo do 14-bis em 23 de outubro de 1906, a cerca de 3 metros de altura 11
220 mdistância do voo de 12 de novembro de 1906, a 41,3 km/h 11
5 milhasda Demoiselle de Saint-Cyr a Buc, em 13 de setembro de 1909, em cerca de cinco minutos 9

Ficha

Nascimento
20 de julho de 1873, em Cabangu (Palmira, hoje Santos Dumont), Minas Gerais 411
Morte
23 de julho de 1932, no Guarujá, São Paulo, aos 59 anos 413
Família
Filho do engenheiro Henrique Dumont e de Francisca de Paula Santos 4
Formação
Estudou física, química, mecânica e eletricidade de modo informal, em Paris, com um tutor 11
Residência
Passou a viver em Paris em 1892 11
Máquinas
Balão Brasil (1898), dirigíveis a partir do N.º 1 (1898), 14-bis (1906) e Demoiselle (1907 a 1909) 191119
Livros
Dans l'air (1904) e O que eu vi, o que nós veremos (1918) 4
Prêmio
Deutsch de la Meurthe, em 19 de outubro de 1901, pelo voo ao redor da Torre Eiffel 14
Academia
Eleito para a cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras em 4 de junho de 1931; não tomou posse 4
Homenagens
Palmira passou a se chamar Santos Dumont em 31 de julho de 1932; 23 de outubro é o Dia do Aviador, pela Lei 218, de 1936 420
Capítulo 1

A fazenda de café e as máquinas

Alberto Santos-Dumont nasceu em 20 de julho de 1873, em Cabangu, fazenda de Palmira, hoje o município mineiro de Santos Dumont. 411 Era filho do engenheiro Henrique Dumont e de Francisca de Paula Santos. 4 Na autobiografia de 1904, ele escolhe começar pela plantação de café. 1

Dificilmente imagino um ambiente mais estimulante para um menino que sonhava com invenções mecânicas.

Alberto Santos-Dumont · Autobiografia publicada em 1904 (edição inglesa My Airships), capítulo I1tradução livre
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I can hardly imagine a more stimulating environment for a boy dreaming over mechanical inventions.

Aos sete anos, conta ele, já podia dirigir os locomóveis da fazenda. Aos doze, tinha conquistado lugar na cabine das locomotivas Baldwin que puxavam vagões de café verde por sessenta milhas de trilhos da própria plantação. 1 Quando o pai e os irmãos saíam a cavalo para ver se os cafezais estavam limpos, ele preferia descer à casa de máquinas e brincar com os equipamentos de beneficiar o grão. 1

O beneficiamento do café foi sua primeira escola de mecânica. Ele escreve que, de tanto brincar com aquelas máquinas e com os motores que as moviam, aprendeu a consertar qualquer peça. 1 As únicas máquinas da usina que não eram rotativas, as peneiras que iam e vinham na horizontal em alta velocidade, eram também as que viviam desreguladas e gastavam muita força. 1 Disso ele tira, desde menino, uma preferência pelo movimento de rotação e uma desconfiança de tudo o que sacode, e dirá mais tarde que o aparelho que conquistaria o ar não seria de asas batendo. 1

Casa branca de telhado vermelho, com varanda, entre árvores altas, onde nasceu Santos-Dumont e hoje funciona o Museu de Cabangu.
A casa natal de Santos-Dumont, em Cabangu, hoje o Museu de Cabangu, em foto de 2012. O sítio foi doado a ele pelo governo em 1918. 4

Imagem: A. de Guias Turismo - SD · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Aos poucos aparecem os sinais do que viria. Ele se lembra do jogo de crianças em que o líder grita nomes de animais voadores e quem levanta o dedo para um bicho que não voa paga prenda: quando alguém gritava "Homem voa!", ele erguia o dedo bem alto e se recusava a pagar. 1 Todo 24 de junho, sobre as fogueiras de São João, soltava frotas de pequenos balões de papel de seda. 1 O autor favorito era Júlio Verne. 1 Viu seu primeiro balão em 1888, por volta dos quinze anos, numa festa em São Paulo: um profissional subiu e desceu de paraquedas. 1

Ele guardou esses sonhos para si. Naquele Brasil, escreve, falar em inventar uma máquina voadora marcaria alguém como desequilibrado e visionário, e um filho de fazendeiro que quisesse imitar os balonistas, vistos como acrobatas, cometeria quase um pecado social. 1 A família mudou-se depois de Cabangu: segundo a Wikipédia, comprou em 1879 a fazenda Arindeúva, perto de Ribeirão Preto. 18 O sítio onde ele nasceu só voltaria às suas mãos em 1918, quando o governo brasileiro o doou ao aviador. 4

Capítulo 2

Paris, os automóveis e a primeira subida

Em 1891, a família decidiu fazer uma viagem a Paris, e Santos-Dumont, então com dezoito anos, ficou duplamente contente: a França era a terra dos antepassados do pai. 1 Ele esperava ver na cidade balões dirigíveis e automóveis. Descobriu que só havia balões esféricos, porque ninguém tinha continuado os ensaios com motor que Henri Giffard iniciara em 1852. 1

O profissional que procurou, escolhido na lista de endereços da cidade, pediu 1.200 francos por uma subida de duas horas e um contrato que o fizesse responsável por todos os danos. 1 Santos-Dumont pensou que, se gostasse, não teria dinheiro para repetir, e desistiu. 1 Comprou em vez disso o primeiro automóvel, um Peugeot de três cavalos e meio, na fábrica de Valentigny, e levou o carro ao Brasil quando a família voltou, depois de uns sete meses. 1

Em 1892 ele voltou a Paris. A FAPESP registra que passou a morar lá depois da morte do pai e que estudou física, química, mecânica e eletricidade de modo informal, com um tutor. 11 Os aeronautas que consultou pediam somas absurdas e tratavam o balonismo como mistério profissional. 1 Ele comprou outro automóvel e, com triciclos a motor, foi, segundo conta, o primeiro a organizar corridas desse tipo em Paris, alugando por uma tarde a pista do Parc des Princes. 1

Em 1897, numa livraria do Rio de Janeiro, comprou para a viagem de volta o livro Andrée, Au Pôle Nord en Ballon, de Lachambre e Machuron, e o estudou na travessia como um manual. 1 O que o convenceu foram os preços: o enorme balão de Andrée custara apenas 40 mil francos para ser construído e equipado. 1 Ao chegar a Paris, passou a procurar os construtores em vez dos aeronautas.

Henri Lachambre cobrou 250 francos por uma viagem de três ou quatro horas, com todas as despesas e a volta do balão por trem, e respondeu, rindo, que não causariam dano algum. 1 Alexis Machuron o levou na manhã seguinte. 1 A primeira subida foi num balão de 750 metros cúbicos, a partir do parque de aerostação de Vaugirard, e durou quase duas horas, por cerca de 100 quilômetros, até a região da floresta de Fontainebleau. 1 A FAPESP data a subida de 23 de março de 1898. 11

Da cesta, a terra lhe pareceu côncava, como uma tigela, e a descida foi difícil, com a corda-guia presa numa árvore. 1 Dali ele tirou uma regra: quem quiser pilotar um dirigível deve antes praticar muitos pousos em balão esférico. 1

Capítulo 3

O Brasil, o menor balão esférico

Na volta da primeira subida, Santos-Dumont disse a Machuron que queria um balão para si. 1 O construtor imaginou um balão comum, de 500 a 2.000 metros cúbicos, porque ninguém pensava em fazê-lo menor. 1 Ele pediu um balão da seda japonesa mais leve e resistente, com apenas 100 metros cúbicos, e tanto Machuron quanto Lachambre tentaram lhe provar que era impossível. 1

Os construtores tinham dois argumentos. Para ter estabilidade, um balão precisa de certo peso, diziam, e num balão pequeno os movimentos do aeronauta na cesta o fariam balançar sem parar. 1 Ele respondeu alongando os cabos de suspensão em proporção, e o Brasil se mostrou notavelmente estável. 1 A seda foi testada com um dinamômetro: a japonesa, de 30 gramas por metro quadrado, aguentou 700 quilos por metro linear, o que ele calculou ser trinta vezes mais que o exigido pela teoria. 1

Fotografia antiga de um grupo de homens e mulheres em pé diante de um grande balão, com a cesta ao lado, num parque.
Foto do acervo do Museu Paulista da USP, intitulada "Santos Dumont junto do seu balão Brasil, seu primeiro balão". O registro não traz a data. 1

Imagem: José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP · Domínio público · Wikimedia Commons

As medidas finais foram 113 metros cúbicos, o que dava cerca de 113 metros quadrados de seda. O envelope pesava menos de 3,5 quilos antes do verniz e 14 depois das três demãos; a rede, 1,8 quilo; a cesta, 6 quilos; a corda-guia, de cem jardas, no máximo 8 quilos. 1 Com tudo leve, o balão levantava os 50 quilos do próprio piloto e mais 30 de lastro. 1 Diante de um ministro francês curioso para ver o menor balão esférico já feito, ele mandou pesar o conjunto e subiu com apenas 4 ou 5 quilos de lastro. 1 Sobre a história de que levava o balão numa valise, confirma: é verdadeira. 1

Não acredito que, sem esse estudo e essa experiência prévios com um balão esférico, um homem seja capaz de ter êxito com um dirigível alongado, cujo manejo é muito mais delicado.

Alberto Santos-Dumont · Autobiografia publicada em 1904 (edição inglesa My Airships), capítulo IV1tradução livre
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I do not believe that, without such previous study and experience with a spherical balloon, a man can be capable of succeeding with an elongated dirigible balloon, whose handling is so much more delicate.

Antes de partir com o Brasil, ele fez de 25 a 30 subidas em balões comuns, sozinho, como capitão e único passageiro. 1 Lachambre tinha subidas públicas e deixava que ele fizesse algumas: ele poupava o trabalho do construtor e pagava as próprias despesas e os danos, e assim subiu em várias partes da França e da Bélgica. 1

Capítulo 4

O motor a gasolina e as primeiras quedas

Em meados de setembro de 1898, Santos-Dumont estava pronto para testar ao ar livre o primeiro dirigível. 1 Entre os aeronautas de Paris corria o boato de que ele levaria um motor a petróleo na cesta, e eles diziam estar sinceramente preocupados com o que chamavam de temeridade. 1 Pediam que usasse um motor elétrico, "infinitamente menos perigoso". 1 Segundo a FAPESP, ele instalou o motor a gasolina contra a opinião dos aeronautas e dos construtores, e resolveu o risco das faíscas perto do hidrogênio apontando o escapamento para baixo. 11

Antes de subir, ele quis saber como o motor se comportaria no ar. Pendurou em árvores do Bois de Boulogne o triciclo a motor que usara numa corrida Paris-Amsterdam e sentou-se no selim como num balanço. 1 Ligou o motor, um de dois cilindros que dava três cavalos e meio, e não sentiu vibração especial; ao acelerar, sentiu menos. Chamou aquilo de seu primeiro triunfo no ar. 1

Em 18 de setembro de 1898, no Jardim de Aclimação, os aeronautas que foram ver o experimento o convenceram a largar o dirigível do ponto usado para balões comuns, na extremidade do espaço de onde o vento sopra. Ele explicou que isso o jogaria contra as árvores, e cedeu. 1 "Dentro de um segundo", conta, rasgou o aparelho nas árvores, como temia. 1 Dois dias depois, em 20 de setembro, largou do mesmo lugar, escolhendo ele próprio o ponto de partida, e fez evoluções para a multidão. 1

Subiu demais, a 400 metros, e na descida a bomba de ar, de capacidade insuficiente, não compensou a contração do hidrogênio: o balão alongado dobrou-se no meio como um canivete. 1 Caiu perto do gramado de Bagatelle, onde garotos soltavam pipas. Ele gritou que segurassem o fim da corda-guia e corressem contra o vento, o que diminuiu a velocidade da queda. 1 "Fui salvo pela primeira vez", escreve. 1

Em 11 de maio de 1899 o N.º 2 foi para o ar sob chuva, com o balão pesado de água, e se dobrou de novo, caindo nas árvores. 1 Os amigos diziam que ele tinha aprendido a lição e não devia mais arriscar a vida com um motor a petróleo. 1

Aprendi a minha lição, mas não é essa a lição.

Alberto Santos-Dumont · Sobre o acidente do N.º 2, em 11 de maio de 1899; capítulo X da autobiografia publicada em 19041tradução livre
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I have learned my lesson, but it is not that lesson.

Em 13 de novembro de 1899, o N.º 3 saiu de Vaugirard e foi ao Champ de Mars, onde ele circulou a Torre Eiffel a uma distância prudente, e depois seguiu em linha reta para o Parc des Princes, quase pela rota que dois anos depois seria a do prêmio Deutsch. 1 Pousou em Bagatelle, de propósito, em lembrança da queda do ano anterior. 1

Capítulo 5

O prêmio Deutsch e a volta na Torre Eiffel

Na primavera de 1900, o industrial Henri Deutsch de la Meurthe, sócio do Aéro-Club de Paris, ofereceu 100 mil francos ao primeiro dirigível que, partindo do parque de aerostação do clube em Saint-Cloud, sem tocar o chão e só com meios próprios, contornasse a Torre Eiffel e voltasse ao ponto de partida em no máximo meia hora. 1 O percurso era de 11 quilômetros, e a comissão científica do clube tinha de ser avisada com 24 horas de antecedência, regra que ele criticou. 1

Em 8 de agosto de 1901, diante da comissão, o N.º 5 deu a volta na Torre em nove minutos, mas perdia hidrogênio por uma válvula automática cuja mola se enfraquecera. 1 Ele percebeu o vazamento e seguiu, porque disputava um prêmio de grande honra. 1 O balão murchou e o dirigível caiu sobre os hotéis do Trocadero. 1 Segundo a FAPESP, ele ficou pendurado e subiu por uma corda, ajudou os bombeiros a recolher os restos do balão e ainda testou o motor. 11

Na mesma noite deu as especificações do N.º 6; em 22 dias de trabalho contínuo, o dirigível estava pronto e inflado, um elipsoide de 33 metros por 6, de pontas cônicas. 1 A tentativa decisiva foi em 19 de outubro de 1901. O dia anterior fora de mau tempo, o céu seguia ruim às duas da tarde, e dos 25 membros da comissão só cinco apareceram, entre eles o próprio Deutsch. 1

A largada oficial foi às 14h42. Ele contornou a Torre às 14h51, a cerca de 50 metros do para-raios, e a volta, contra o vento, foi mais lenta. 1 Quinhentos metros depois, o motor quase parou; ele largou o leme por um instante para mexer nas alavancas do carburador e da faísca, e o motor voltou. 1 Quando o motor acelerou de repente, sobre a multidão de Auteuil, o dirigível se inclinou para cima e os aplausos viraram gritos de alarme; ele estava a 150 metros de altura. 1

Silhueta de pessoas acenando em primeiro plano, a Torre Eiffel ao centro e, ao fundo, no céu, o dirigível de Santos-Dumont.
O dirigível N.º 6 junto à Torre Eiffel, em foto do acervo do Museu Paulista da USP, de agência fotográfica ligada à Gaumont. O voo do prêmio Deutsch foi em 19 de outubro de 1901. 1

Imagem: José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP · Domínio público · Wikimedia Commons

Passou sobre os cronometristas às 15h11min30s, o que dava, pela conta dele, 29 minutos e 31 segundos. 1 Depois voltou para ser puxado pela corda, trinta minutos e quarenta segundos depois da partida. Perguntou à multidão se tinha vencido, e a multidão gritou que sim. 1

O New York Times de 20 de outubro de 1901 conta o mesmo dia com outros números: 29 minutos e 15 segundos até o clube e, contando a volta antes do pouso, 30 minutos e 40 segundos na conta do comitê. 2 O comitê declarou o prêmio perdido por cerca de 40 segundos, e o jornal diz que a regra de descer dentro dos trinta minutos tinha sido acrescentada depois ao regulamento, e que ele a contestara. 2 Deutsch chegou ao clube, o abraçou e disse que, de sua parte, considerava que ele tinha ganho. 2

De qualquer forma, pessoalmente não ligo para os 100.000 francos. Eu pretendia dá-los aos pobres.

Alberto Santos-Dumont · Citado pelo New York Times, 20 de outubro de 19012tradução livre
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Anyway, I do not care personally for the 100,000f. I intended to give it to the poor.

O prêmio foi concedido. Santos-Dumont conta que a soma, que ele dá como 125 mil francos, foi dividida: 75 mil francos foram ao chefe de polícia de Paris, para os pobres que o merecessem, e o resto aos seus empregados. 1 A Academia Brasileira de Letras diz apenas que o prêmio de 100 mil francos foi repartido entre os pobres de Paris e os mecânicos que o ajudaram. 4 O governo brasileiro votou 100 contos de réis e mandou cunhar uma medalha de ouro com o verso de Camões alterado: "Por céus nunca d'antes navegados". 14

Ganhar o prêmio Deutsch tinha custado apenas alguns litros de petróleo!

Alberto Santos-Dumont · Sobre o dia seguinte à vitória, quando o balão do N.º 6 não aceitou mais gás por não ter perdido nenhum; capítulo XVI da autobiografia1tradução livre
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The actual winning of the Deutsch prize had cost only a few litres of petroleum!

Capítulo 6

O dirigível de passeio e a fama

Depois do prêmio, Santos-Dumont diz que não tinha motivo para parar: o que lhe faltava era prática de navegação, não um novo recorde. 1 Em vez de um dirigível de corrida maior, fez o menor possível. O N.º 9 tinha 220 metros cúbicos no início, depois ampliados para 261, e um motor Clément de três cavalos que pesava 12 quilos. 1 Ele o descreve como um pequeno carro de recados do ar, para seu prazer e conveniência, e diz que o levava pelo Bois de Boulogne a 20 ou 25 quilômetros por hora. 1

Na terça-feira, 23 de junho de 1903, levantou às duas da manhã, subiu o muro da estação de Neuilly e atravessou o Bois ao amanhecer. 1 Tentava, pela primeira vez, pousar diante da própria porta, na esquina da avenida dos Champs-Élysées com a rua Washington. 1 Percorreu a avenida do Bois vazia com a corda-guia de 40 metros, às vezes abaixo dos telhados, e chama isso de navegação prática porque não exige esforço para manter a altura nem oferece risco de queda. 1

Pequeno dirigível claro no ar sobre árvores, ao lado de um grande hangar, com uma multidão de pessoas em primeiro plano.
O dirigível N.º 9 voltando ao hangar de Saint-Cloud, segundo o título do registro no acervo do Museu Paulista da USP; o registro não traz a data. 1

Imagem: José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP · Domínio público · Wikimedia Commons

Em 29 de junho de 1903, pousou no clube de Saint-Cloud entre seis balões esféricos. 1 Quando os colegas perguntaram se queriam lhe dar gás, ele respondeu que tinha vindo de Neuilly sem jogar lastro. 1 A FAPESP acrescenta que ele estacionava o N.º 9 em frente ao apartamento, na esquina da rua Washington com os Champs-Élysées, para tomar um café em casa enquanto a multidão parava para aplaudir, e que o físico Henrique Lins de Barros vê nisso uma forma eficiente de mostrar que o novo meio de transporte podia ser rápido e seguro. 11

A fama o fez personagem das revistas. O cartunista Georges Goursat, o Sem, era amigo e autor de sátiras populares sobre ele, segundo a FAPESP. 11 Em 1904 saiu em francês o livro Dans l'air, que em português só seria publicado em 1938 como Os meus balões. 4

Caricatura em preto e branco do perfil de Santos-Dumont, com o rosto alongado, gola alta e a assinatura Sem ao lado do pescoço.
Caricatura de Santos-Dumont por Georges Goursat, o Sem, na revista Je sais tout, n.º 8, de 1905. 11

Imagem: Georges Goursat (Sem) · Domínio público · Wikimedia Commons

Foi nesse mesmo ambiente que nasceu a história do relógio. Segundo a FAPESP, numa recepção no restaurante Maxim's, em 1904, Santos-Dumont comentou com o amigo Louis Cartier que, em pleno voo, era difícil consultar o relógio; Cartier mandou fazer um protótipo para usar no pulso e o batizou de modelo Santos. 11 A mesma reportagem lembra que a ideia não era absoluta, porque algumas mulheres já usavam relógio no pulso, mas como joia, sem finalidade prática. 11 A Cartier mantém hoje uma coleção com o nome dele, que diz perpetuar o espírito pioneiro do aviador. 23

Capítulo 7

Do dirigível ao mais pesado que o ar: o 14-bis

Em 1905, Santos-Dumont começou as experiências com o "mais pesado do que o ar", o aeroplano. 4 O 14-bis recebeu esse nome porque, segundo a FAPESP, foi pendurado no balão N.º 14 nos primeiros testes; a imprensa de Paris o chamou de Oiseau de proie, ave de rapina. 11

Fotografia antiga de um aeroplano de caixas de asas pendurado sob um dirigível alongado, sobre um campo plano, com pessoas correndo embaixo.
O 14-bis em teste no campo de Bagatelle, em Paris, em julho de 1906, pendurado no dirigível; foto do Museu Casa Natal de Santos Dumont, segundo o registro. 1121

Imagem: Autor desconhecido (versão recortada por MLWatts) · Domínio público · Wikimedia Commons

A Air & Space Magazine, do Smithsonian, diz que o 14-bis tinha um motor Antoinette de 50 cavalos e que parte dos comandos ia presa aos ombros do piloto por um arnês, o que fazia com que ele parecesse dançar rumba no ar. 8

Em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, ele percorreu cerca de cem metros no chão e voou 60 metros, a uns 3 metros de altura, segundo a FAPESP. 11 A Air & Space descreve o episódio como o primeiro voo de uma máquina mais pesada que o ar na Europa. 8

Em 12 de novembro, no mesmo campo, voou 220 metros e fez o primeiro recorde de velocidade, 41,3 quilômetros por hora; o feito foi ratificado pela Federação Aeronáutica Internacional, a FAI. 11 A Academia Brasileira de Letras registra que, ali, sob o controle do Aeroclube da França, ele estabeleceu os primeiros recordes de aviação do mundo. 4 O programa NOVA, da rede americana PBS, conta que ele levou o 14-bis ao ar quatro vezes naquele dia e que o melhor salto com motor durou 21 segundos e cobriu 722 pés. O texto acrescenta que, na época, todos achavam tratar-se do primeiro voo motorizado do mundo, o que mudou quando Wilbur Wright chegou à França, em agosto de 1908. 9

Do outro lado do Atlântico, os irmãos Orville e Wilbur Wright já tinham voado. Em 17 de dezembro de 1903 fizeram quatro voos em Kitty Hawk: o primeiro durou 12 segundos e cobriu 36 metros, e o último, de Wilbur, 255,6 metros em 59 segundos. 5 Em 1904 passaram a usar um dispositivo de torre e peso que cai, uma catapulta, para ajudar a decolagem com pouco vento, 6 e em 5 de outubro de 1905 Wilbur voou mais de 24 milhas em 39 minutos. 7 O que cada definição de voo conclui está nos contrapontos desta página.

Foto em preto e branco do Flyer dos irmãos Wright poucos metros acima da areia de Kitty Hawk, com um homem em pé ao lado, à direita.
O Flyer dos Wright no primeiro voo, em 17 de dezembro de 1903, em Kitty Hawk, com Orville Wright nos comandos; a foto é de John T. Daniels. O voo durou 12 segundos e cobriu 36 metros. 5

Imagem: John T. Daniels · Domínio público · Wikimedia Commons

Capítulo 8

A Demoiselle e as plantas abertas

Depois do sucesso do 14-bis, em 1906, muitos colegas dele fundaram fábricas de aviões, segundo um artigo científico de 2012. 15 O projeto de Santos-Dumont seguiu para aviões menores. Em 17 de novembro de 1907 voou em Issy-les-Moulineaux o N.º 19, o primeiro da série que ficaria conhecida como Demoiselle. 19 O nome, segundo a NOVA, é a palavra francesa para o inseto damselfly, a donzelinha, muitas vezes traduzida por engano como libélula. 9 A N.º 19 tinha a fuselagem de uma única haste de bambu; para estabilizá-la, ele ampliou as asas e instalou um motor Antoinette de 24 cavalos entre as pernas do piloto. A N.º 20 trocou a haste por uma armação triangular de bambu e levou um motor de dois cilindros de 30 cavalos, de projeto dele. 9

Em 13 de setembro de 1909, voou cinco milhas, de Saint-Cyr a Buc, em cerca de cinco minutos, a 55,8 milhas por hora, segundo a NOVA. 9 A revista Popular Mechanics dá o mesmo trecho e uma velocidade de 56 milhas por hora. 3

Fotografia antiga da Demoiselle, monoplano leve de asas longas e cauda em losango, parado num campo com muitas pessoas ao fundo.
A Demoiselle em foto do acervo do Museu Paulista da USP; o registro não informa a data. 9

Imagem: José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP · Domínio público · Wikimedia Commons

Em junho de 1910, a Popular Mechanics abriu um artigo dizendo que, depois do anúncio feito meses antes por Santos-Dumont de que daria os planos de seu mais novo aeroplano ao mundo, em nome do interesse da aeronáutica, havia grande interesse pelo monoplano. 3 A revista avisava que ninguém sem habilidade mecânica e bom senso devia tentar construir uma cópia, e que os planos eram idênticos aos usados na França. 3

Esta máquina é melhor do que qualquer outra já construída para quem quer chegar a resultados com o mínimo de gasto e o mínimo de experimentos.

Arthur E. Joerin e A. Cross · Popular Mechanics, junho de 1910, artigo "How to Build the Famous Demoiselle"3tradução livre
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This machine is better than any other which has ever been built, for those who wish to reach results with the least possible expense and with a minimum of experimenting.

As fontes concordam no essencial: ele não patenteou o projeto. A NOVA escreve que, por acreditar em levar o voo às massas, ele não patenteou a Demoiselle e ela foi muito copiada. 9 A FAPESP diz que ele divulgava os desenhos e não patenteou nenhuma de suas criações aeronáuticas, o que, segundo o físico Henrique Lins de Barros, favoreceu o desenvolvimento da aviação de modo impressionante. 11 O curador Hagedorn, do Smithsonian, afirma que ele fez de seus projetos um presente ao mundo. 8 O contraponto sobre o que isso quer dizer, e sobre quantas Demoiselles foram feitas, está mais adiante.

Capítulo 9

Depois de 1910: o Iguaçu, o chalé e os monumentos

Em 1910, aos 36 anos, Santos-Dumont decidiu abandonar a aviação, segundo um artigo de Elie Cheniaux, de 2022, baseado em biografias. 14 O artigo conta que, queixando-se de visão dupla e tontura, ele consultou um médico, que teria formulado o diagnóstico de esclerose múltipla. 14 A FAPESP lembra que o físico Henrique Lins de Barros duvida desse diagnóstico. 11 As fontes não coincidem sobre quando foi o último voo: a Air & Space fala em julho de 1910, e a Wikipédia lista voos em Reims, em agosto de 1909, e um acidente com a Demoiselle em janeiro de 1910. 818

Os monumentos vieram cedo. O Aeroclube da França inaugurou em Saint-Cloud, em 19 de outubro de 1913, um monumento em bronze com o mito de Ícaro. 4 A Wikipédia dá outra data para o mesmo monumento, 4 de outubro de 1913, e registra um primeiro, em Bagatelle, inaugurado em 12 de novembro de 1910. 18

Fotografia em preto e branco da escultura de Ícaro, um homem alado de braços abertos, em pé sobre uma pedra.
Modelo da escultura Ícaro, de Georges Colin, em foto de imprensa da Agência Meurisse de novembro de 1909; o catálogo da BnF o registra como o monumento que seria inaugurado em Bagatelle. 418

Imagem: Agência de imprensa Meurisse (comanditária) · Domínio público · Wikimedia Commons

Em 1916, aos 42 anos, longe da aviação, ele viajou pela América do Sul e se hospedou em Foz do Iguaçu. Em 24 de abril foi conhecer as cataratas a cavalo, por uma trilha de quatro horas. 11 A FAPESP conta que ele se encantou e não entendeu como aquele espetáculo estava em terras de uma só pessoa; ofereceu-se para convencer o presidente do Paraná, Afonso Camargo, a desapropriar o local. 11 Como não havia estrada nem trilho até Curitiba, foi seis dias a cavalo, por uns 300 quilômetros, ao longo da linha telegráfica do Exército até Guarapuava, e dali de carro e de trem. Camargo o recebeu em 8 de maio. 11

O Decreto 653, de 28 de julho de 1916, desapropriou as terras ao lado das cataratas e as declarou de interesse público para a criação de um parque. 11 O Parque Nacional do Iguaçu foi criado em 1939. 11

Em 1918 o governo brasileiro lhe doou o sítio Cabangu, onde ele nascera, e ele publicou o segundo livro, O que eu vi, o que nós veremos. 4 No mesmo ano ergueu em Petrópolis o chalé que chamou de A Encantada. O Jornal do Brasil conta que a casa foi idealizada por ele e projetada com o engenheiro Eduardo Pederneiras e o arquiteto Armando Telles, quatro anos depois do desembarque triunfal do inventor na cidade, em 1914. 16

Casa de dois andares com varanda no alto de um morro verde, entre palmeiras e plantas, vista de baixo, da rua, em Petrópolis.
A Encantada, casa que Santos-Dumont mandou construir em Petrópolis, hoje museu, vista da rua em 2021. 16

Imagem: Boaventuravinicius · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

A casa é hoje o Museu Casa de Santos-Dumont. 16 O físico Henrique Lins de Barros, citado pela FAPESP, resume a trajetória assim: ele foi do balão ao avião sem passar pelo planador, e foi o único a conseguir. 10

Capítulo 10

Julho de 1932

Em 4 de junho de 1931, a Academia Brasileira de Letras o elegeu para a cadeira 38, na vaga de Graça Aranha. Ele não chegou a tomar posse. 4 Em 9 de julho de 1932 começou em São Paulo a Revolução Constitucionalista. 4 Santos-Dumont estava no Guarujá, no litoral paulista. 11

Morreu em 23 de julho de 1932, aos 59 anos. 413 As fontes registram a morte como suicídio: a Academia Brasileira de Letras, a Assembleia Legislativa de São Paulo e a FAPESP. 41113 O atestado de óbito, porém, indicou colapso cardíaco, segundo o artigo de Cheniaux e segundo o jornal Tribuna do Paraná, que reproduz uma reportagem do Estadão. 1214 A FAPESP diz que o jornalista Edmar Morel revelou a verdade em 1944. 11 Esta biografia não descreve os detalhes, que não são necessários para entender a vida.

Os motivos são o ponto em que as fontes se separam. A Academia Brasileira de Letras escreve que ele se suicidou "profundamente traumatizado, ao que se presume" pelo movimento revolucionário. 4 A página da Assembleia Legislativa o liga ao uso militar de sua invenção. 13 O Estadão, citado pela Tribuna do Paraná, diz que os motivos permanecem nebulosos e que a cena de aviões de combate sobre o Guarujá não é real. 12 A FAPESP e o artigo de Cheniaux apontam uma depressão que, segundo o artigo, já se manifestava em 1910, quatro anos antes da guerra de 1914. 1114 O próprio Cheniaux adverte que diagnosticar alguém só por biografias tem valor muito limitado. 14

Em 31 de julho de 1932, a cidade de Palmira, onde fica Cabangu, passou a se chamar Santos Dumont. 4 A Lei 218, de 4 de julho de 1936, declarou 23 de outubro Dia do Aviador, em referência ao voo de 1906. 20

Em destaqueMaiores feitos

  1. 1898

    O balão Brasil

    Balão de 113 metros cúbicos, em seda japonesa, com envelope de 14 quilos já envernizado, que ele fez apesar da opinião dos construtores de que era impossível. 1

  2. 1898 e 1899

    Dirigíveis com motor a gasolina

    Primeiro o N.º 1, em setembro de 1898, e depois o N.º 3, que em 13 de novembro de 1899 foi de Vaugirard ao Parc des Princes. A FAPESP diz que ele instalou o motor a gasolina contra a opinião de aeronautas e construtores. 111

  3. 1901

    O prêmio Deutsch

    Contornou a Torre Eiffel no N.º 6 em 19 de outubro de 1901, em 29 minutos e 31 segundos pela sua conta, e foi declarado vencedor depois de uma discussão com o comitê. 12

  4. 1903

    O dirigível N.º 9

    Dirigível de passeio, de 220 metros cúbicos e motor de 3 cavalos que pesava 12 quilos, com o qual circulava por Paris a 20 ou 25 quilômetros por hora. 1

  5. O 14-bis, aeroplano de caixas de asas com o número 14 bis na lateral, no ar sobre o gramado de Bagatelle, com um público ao fundo.
    1906

    O 14-bis

    Aeroplano com o qual voou 60 metros em 23 de outubro de 1906 e 220 metros em 12 de novembro, em Bagatelle, a 41,3 quilômetros por hora. 11

    Imagem: José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP · Domínio público · Wikimedia Commons

  6. Capa colorida do jornal Le Petit Journal com a ilustração de um aeroplano no ar sobre uma multidão e um automóvel antigo, em um gramado.
    1906

    Os primeiros recordes homologados

    Em 12 de novembro, sob o controle do Aeroclube da França, estabeleceu os primeiros recordes de aviação, ratificados pela FAI. Dias depois, o Le Petit Journal o pôs na capa. 411

    Imagem: Le Petit Journal (obra coletiva) · Domínio público · Wikimedia Commons

  7. Fotografia antiga da Demoiselle, monoplano leve de asas longas e cauda em losango, parado num campo com muitas pessoas ao fundo.
    1909

    A Demoiselle

    Monoplano de bambu e seda, com o qual voou cinco milhas de Saint-Cyr a Buc em 13 de setembro de 1909. Em 1909 a fábrica Clément-Bayard se interessou em produzi-lo em série, segundo a NOVA. 9

    Imagem: José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP · Domínio público · Wikimedia Commons

  8. 1910

    Plantas abertas

    A Popular Mechanics publicou os planos da Demoiselle em junho de 1910, depois do anúncio dele de que os daria ao mundo. As fontes dizem que não houve patente. 3911

  9. 1916

    As cataratas do Iguaçu

    Sua proposta ao presidente do Paraná levou à desapropriação das terras ao lado das cataratas pelo Decreto 653, de 28 de julho de 1916; o parque nacional veio em 1939. 11

Do começo até aquiLinha do tempo

  1. Nasce em Cabangu

    Fazenda de Palmira, em Minas Gerais, hoje município de Santos Dumont. 411

  2. Vê o primeiro balão

    Em São Paulo, um profissional sobe e desce de paraquedas. 1

  3. Primeira viagem a Paris

    Compra um Peugeot de três cavalos e meio e desiste de pagar 1.200 francos por uma subida de balão. 1

  4. O livro de Andrée

    Compra, numa livraria do Rio, o livro de Lachambre e Machuron e decide procurar construtores. 1

  5. Primeira subida de balão

    Como passageiro, com Machuron, em Paris; a data é da FAPESP. 111

  6. O balão Brasil

    Balão esférico de 113 metros cúbicos, feito com seda japonesa. 1

  7. Primeiro dirigível

    Em 18 de setembro o N.º 1 se rasga nas árvores; em 20 de setembro voa e cai perto de Bagatelle. 1

  8. O N.º 3 passa pela Torre Eiffel

    Vai de Vaugirard ao Champ de Mars e ao Parc des Princes. 1

  9. O N.º 5 cai no Trocadero

    Perde hidrogênio por uma válvula e cai sobre os hotéis do Trocadero. 1

  10. Ganha o prêmio Deutsch

    Contorna a Torre Eiffel no N.º 6 e volta a Saint-Cloud em cerca de meia hora. 124

  11. O N.º 9 tenta pousar à porta de casa

    Larga de Neuilly ao amanhecer e vai até os Champs-Élysées. 1

  12. Publica o primeiro livro e ouve a ideia do relógio

    Sai Dans l'air; segundo a FAPESP, no Maxim's ele comenta com Louis Cartier a dificuldade de consultar o relógio em voo. 411

  13. O 14-bis em teste

    Testes em Bagatelle, com o aeroplano pendurado no dirigível N.º 14. 1121

  14. Voa 60 metros

    Primeiro voo do 14-bis em Bagatelle, segundo a FAPESP; a Air & Space o descreve como o primeiro voo de máquina mais pesada que o ar na Europa. 811

  15. Voa 220 metros

    Voo de 220 metros a 41,3 km/h, ratificado pela FAI como o primeiro recorde da aviação. 411

  16. Voa o N.º 19

    Primeira Demoiselle, em Issy-les-Moulineaux. 19

  17. De Saint-Cyr a Buc

    Voo de cinco milhas na Demoiselle em cerca de cinco minutos. 39

  18. Plantas na Popular Mechanics

    A revista americana publica o artigo de como construir a Demoiselle. 39

  19. Deixa a aviação

    Segundo Cheniaux, queixas de visão dupla e tontura o levam ao médico e ele abandona os voos. 14

  20. Monumento em Saint-Cloud

    O Aeroclube da França inaugura a estátua de Ícaro; a Wikipédia dá 4 de outubro. 418

  21. Decreto do Iguaçu

    O Paraná desapropria as terras ao lado das cataratas, por proposta dele. 11

  22. Cabangu, livro e Encantada

    Recebe o sítio Cabangu, publica o segundo livro e constrói a casa de Petrópolis. 416

  23. Eleito para a ABL

    Cadeira 38; não chega a tomar posse. 4

  24. Morre no Guarujá

    Aos 59 anos, durante a Revolução Constitucionalista. 413

Sem enfeiteO que a história também registra

Registros públicos e críticas documentadas, com a fonte de cada um. É parte da biografia, não um julgamento.

Quem voou primeiro: o que cada definição conclui

A disputa é nacionalista nos dois lados, e as fontes descrevem fatos diferentes. O Smithsonian registra os quatro voos dos Wright em 17 de dezembro de 1903, o último de 255,6 metros em 59 segundos, e os descreve como os primeiros voos bem-sucedidos de uma máquina motorizada mais pesada que o ar. 5 A FAPESP, ouvindo o físico Henrique Lins de Barros e o pesquisador Rodrigo Moura Visoni, afirma que o Flyer dependia de ajuda externa, como trilho, catapulta e vento forte, e que os irmãos só se apresentaram em público em 1908. 11 Um site de museu dedicado aos Wright responde que eles fizeram mais de quarenta voos antes de construir a catapulta, que nem sempre a usaram e que convidaram o público e a imprensa em 1904 e 1905; o Smithsonian confirma que a catapulta de torre e peso foi adotada em 1904 para ajudar a decolagem com ventos mais leves. 621 O mesmo site diz que a FAI só passou a registrar recordes em 1906 e que o monumento de Bagatelle afirma que ele estabeleceu os primeiros recordes, não que voou primeiro. 21 A FAPESP lembra que as regras de 1905 pediam voo público e anunciado, decolagem sem ajuda e comissão, e diz que só o de Santos-Dumont as cumpria. 11 Em resumo: pela definição de primeiro voo motorizado, controlado e com piloto, as fontes citadas apontam os Wright, em 1903. 5 Pela definição de primeiro voo público, sem ajuda externa e homologado por um aeroclube, apontam Santos-Dumont, em 1906. 411 O curador do Smithsonian Dan Hagedorn diz que o voo de 1906 foi mesmo um primeiro, o da Europa. 8

Distâncias e datas do 14-bis

As fontes não coincidem nos números do 14-bis. Para o voo de 23 de outubro de 1906, a FAPESP dá 60 metros a cerca de 3 metros de altura, 11 a Air & Space fala em 120 pés, cerca de 37 metros, 8 e o site wright-brothers.org dá 197 pés, mas o data de 27 de outubro. 21 Para 12 de novembro, a FAPESP e a Academia Brasileira de Letras falam em recordes ratificados ou estabelecidos sob controle do Aeroclube da França, 411 enquanto a NOVA conta quatro subidas, a melhor de 21 segundos e 722 pés, e diz que, na época, todos achavam tratar-se do primeiro voo motorizado do mundo, até a chegada de Wilbur Wright à França, em 1908. 9 Esta página mantém os 60 e os 220 metros da FAPESP, que são os mais citados, e registra a divergência.

Os tempos do prêmio Deutsch

Na autobiografia, Santos-Dumont diz que passou pelos cronometristas em 29 minutos e 31 segundos e que voltou a ser puxado pela corda 30 minutos e 40 segundos depois da largada. 1 O New York Times dá 29 minutos e 15 segundos até o clube e 30 minutos e 40 segundos para o comitê, que decidiu que o prêmio estava perdido por cerca de 40 segundos; o jornal diz que Deutsch discordou e que a regra de descer dentro dos trinta minutos fora acrescentada depois. 2 A Wikipédia registra que o dinheiro foi liberado em 4 de novembro de 1901, depois de uma votação de quinze a nove. 18 O valor também varia: 100 mil francos para o New York Times e para a Academia Brasileira de Letras, 125 mil para Santos-Dumont. 124

Quantas Demoiselles foram feitas e o que significa abrir mão

Os números variam: a FAPESP fala em mais de 200 unidades feitas por pequenas empresas ou particulares, 10 o jornal NSC em cerca de cem produzidas pela Clément-Bayard, 17 a Wikipédia em 50 construídas e 15 vendidas, a 7.500 francos a estrutura, de cem planejadas, 19 e o curador Hagedorn diz que não há registro da quantidade exata. 8 Abrir mão, aqui, quer dizer o que a Popular Mechanics registra, que ele anunciou que daria os planos ao mundo, 3 e o que a NOVA e a FAPESP dizem, que não patenteou. 911 Não quer dizer que ninguém vendeu a máquina: a NOVA diz que a Clément-Bayard se interessou em produzi-la em série em 1909, e a Wikipédia registra que a empresa a expôs no Salão de Aeronáutica de Paris em outubro daquele ano. 919

Dirigíveis antes de Santos-Dumont

Santos-Dumont não afirma ter inventado o dirigível: na autobiografia, cita a demonstração de Henri Giffard, em 1852, e os ensaios dos irmãos Tissandier com motor elétrico, em 1883. 1 O que as fontes lhe atribuem é o motor a gasolina, adotado contra a opinião dos aeronautas, 11 e a demonstração em público, que culminou no prêmio Deutsch. 14 Ele próprio escreve que, em 1901, o dirigível que ganhou o prêmio era o único em funcionamento. 1

Leitura do autorO que fica

Isto é interpretação, não fato: o que esta história pode ensinar a quem constrói.

  1. Pratique o ofício antes de inventar

    Antes de construir o Brasil, Santos-Dumont fez de 25 a 30 subidas em balões comuns, sozinho. Foi essa prática que ele apontou como condição para qualquer pessoa que quisesse pilotar um dirigível.

  2. O impossível dos especialistas é uma hipótese, não um veredito

    Os construtores disseram que um balão de 100 metros cúbicos e de seda japonesa não funcionaria. Ele mediu a seda no dinamômetro e construiu. A história mostra o valor de testar a objeção antes de aceitá-la.

  3. Ceda no detalhe, nunca no que você já provou

    Em 18 de setembro de 1898 ele largou do ponto que os aeronautas queriam e rasgou o dirigível nas árvores; dois dias depois, escolheu o ponto de partida. A lição é distinguir a opinião de quem opina da conta de quem testou.

  4. Teste em público, com quem possa conferir

    O prêmio Deutsch e os voos de Bagatelle foram feitos diante de comissões e de multidões. Isso trouxe discussão, como a dos 40 segundos, mas também deu ao resultado uma prova que outros puderam examinar.

  5. Abrir o projeto espalha a ideia

    Os planos da Demoiselle foram publicados e copiados em oficinas de vários países. As fontes não concordam sobre quantas máquinas existiram, mas concordam que não houve patente e que a ideia circulou.

  6. Reparta o ganho com quem trabalha com você

    Ele dividiu o dinheiro do prêmio entre os pobres de Paris e os empregados que o ajudaram. Num trabalho em equipe, o crédito e o ganho costumam ter mais de um dono.

  7. Fale de saúde mental sem lenda

    O registro de 1932 mostra como o silêncio em torno do sofrimento pode distorcer a história por décadas. Contar o que está documentado, com respeito, e indicar apoio a quem precisa é uma forma de cuidado.

Respostas rápidasPerguntas frequentes

Quando e onde Santos-Dumont nasceu?

Em 20 de julho de 1873, em Cabangu, fazenda de Palmira, hoje o município mineiro de Santos Dumont. 411

Como ele ganhou o prêmio Deutsch?

Em 19 de outubro de 1901 contornou a Torre Eiffel no dirigível N.º 6 e voltou a Saint-Cloud em cerca de meia hora. O comitê contestou o tempo e depois o prêmio foi concedido. 1218

O que o 14-bis fez em 1906?

Em 23 de outubro voou 60 metros em Bagatelle, e em 12 de novembro, 220 metros a 41,3 km/h, feito ratificado pela FAI. 411

Santos-Dumont patenteou a Demoiselle?

As fontes dizem que não. Ele anunciou que daria os planos ao mundo, e a Popular Mechanics os publicou em 1910. 3911

Quem voou primeiro, Santos-Dumont ou os irmãos Wright?

Depende da definição. Pelo voo motorizado, controlado e com piloto, os Wright, em 1903; pelo voo público, sem ajuda externa e homologado por um aeroclube, Santos-Dumont, em 1906. 511

Ele inventou o relógio de pulso?

Não. Segundo a FAPESP, em 1904 ele comentou com Louis Cartier que era difícil consultar o relógio em voo, e Cartier fez um protótipo de pulso; algumas mulheres já usavam relógio no pulso, como joia. 11

Quando e onde Santos-Dumont morreu?

Em 23 de julho de 1932, no Guarujá, aos 59 anos. As fontes divergem sobre os motivos, e o atestado de óbito indicou colapso cardíaco. 4121314

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Onde conferirFontes

Cada número no texto aponta para uma destas fontes, abertas e lidas por quem escreveu em 29 de outubro de 2026.

  1. 1My Airships: The Story of My LifeFonte primáriaProject Gutenberg (edição inglesa de 1904), Alberto Santos-Dumont, 1904. Acessada em 29 de outubro de 2026. Autobiografia; capítulos I a XXII lidos nas passagens citadas.
  2. 2M. Santos-Dumont rounds Eiffel TowerImprensaThe New York Times (transcrição na Wikisource), The New York Times, 1901-10-20. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  3. 3How to Build the Famous "Demoiselle" Santos-Dumont MonoplaneImprensaPopular Mechanics, v. 13, n. 6 (transcrição na Wikisource), Arthur E. Joerin e A. Cross, 1910-06. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  4. 4Santos-Dumont: biografiaInstituiçãoAcademia Brasileira de Letras. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  5. 51903 Wright FlyerInstituiçãoNational Air and Space Museum, Smithsonian. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  6. 6Researching the Wright WayInstituiçãoNational Air and Space Museum, Smithsonian. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  7. 7Huffman Prairie Flying FieldInstituiçãoNational Park Service (EUA), 2018-02-05. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  8. 8In the MuseumImprensaAir & Space Magazine (Smithsonian), 2006. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  9. 9Tale of the DamselflyImprensaNOVA, PBS (Wings of Madness), Evan Hadingham, 2006. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  10. 10Santos-DumontImprensaPesquisa FAPESP, edição 124, Neldson Marcolin, 2006-06. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  11. 11100 years in the airImprensaPesquisa FAPESP, edição 128, 2006-10. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  12. 12Santos-Dumont: também inventor de objetos sem nenhuma relevânciaImprensaTribuna do Paraná, Estadão Conteúdo, 2016-11-23. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  13. 13A história e o amor de Santos Dumont pelo estado de São PauloInstituiçãoAssembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Daiana Rodrigues, 2026-07-17. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  14. 14The bipolarity of Alberto Santos-Dumont: flights and falls of the "Father of Aviation"Fonte primáriaJornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 71, n. 1, Elie Cheniaux, 2022-02-21. Acessada em 29 de outubro de 2026. Artigo científico de revisão narrativa, em acesso aberto; lido no PDF.
  15. 15Open Source Philosophy and the Dawn of AviationFonte primáriaJournal of Aerospace Technology and Management, v. 4, n. 3, Bento Silva de Mattos, 2012-07. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  16. 16Livro conta a história do chalé de Santos-Dumont e sua relação com PetrópolisImprensaJornal do Brasil, 2011-03-24. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  17. 17E se o ar tivesse patente? A decisão de Santos Dumont que tornou a aviação um bem coletivo há 120 anosImprensaNSC Total, 2026-10-23. Acessada em 29 de outubro de 2026.
  18. 18Alberto Santos-DumontEnciclopédiaWikipédia (inglês). Acessada em 29 de outubro de 2026. Usada só para orientação e para datas que as outras fontes não trazem.
  19. 19Santos-Dumont DemoiselleEnciclopédiaWikipédia (inglês). Acessada em 29 de outubro de 2026.
  20. 20Santos DumontEnciclopédiaWikipédia (português). Acessada em 29 de outubro de 2026.
  21. 21The Case for Alberto Santos DumontEnciclopédiawright-brothers.org (museu virtual sobre os irmãos Wright). Acessada em 29 de outubro de 2026. Texto de defesa da primazia dos Wright; usado como a posição desse lado.
  22. 22Sobre o CVVInstituiçãoCentro de Valorização da Vida (CVV). Acessada em 29 de outubro de 2026.
  23. 23Santos de CartierFonte primáriaCartier. Acessada em 29 de outubro de 2026. Página da própria empresa; barra robôs.
Créditos das imagens
  • Alberto Santos-Dumont em retrato de Zaida Ben-Yusuf, de 1902, com direitos da McClure's Co. registrados no arquivo. Imagem de Zaida Ben-Yusuf, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • A casa natal de Santos-Dumont, em Cabangu, hoje o Museu de Cabangu, em foto de 2012. O sítio foi doado a ele pelo governo em 1918. Imagem de A. de Guias Turismo - SD, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
  • Foto do acervo do Museu Paulista da USP, intitulada "Santos Dumont junto do seu balão Brasil, seu primeiro balão". O registro não traz a data. Imagem de José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • O dirigível N.º 6 junto à Torre Eiffel, em foto do acervo do Museu Paulista da USP, de agência fotográfica ligada à Gaumont. O voo do prêmio Deutsch foi em 19 de outubro de 1901. Imagem de José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • O dirigível N.º 9 voltando ao hangar de Saint-Cloud, segundo o título do registro no acervo do Museu Paulista da USP; o registro não traz a data. Imagem de José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Caricatura de Santos-Dumont por Georges Goursat, o Sem, na revista Je sais tout, n.º 8, de 1905. Imagem de Georges Goursat (Sem), Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • O 14-bis em teste no campo de Bagatelle, em Paris, em julho de 1906, pendurado no dirigível; foto do Museu Casa Natal de Santos Dumont, segundo o registro. Imagem de Autor desconhecido (versão recortada por MLWatts), Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • O 14-bis em voo no campo de Bagatelle, em foto do acervo do Museu Paulista da USP; o registro do museu não traz a data. Imagem de José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Capa do Le Petit Journal de 25 de novembro de 1906, com o título "Une sensationnelle expérience d'aviation au Bois de Boulogne" e a ilustração do 14-bis em voo. Imagem de Le Petit Journal (obra coletiva), Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • A Demoiselle em foto do acervo do Museu Paulista da USP; o registro não informa a data. Imagem de José Rosael / Hélio Nobre / Museu Paulista da USP, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • O Flyer dos Wright no primeiro voo, em 17 de dezembro de 1903, em Kitty Hawk, com Orville Wright nos comandos; a foto é de John T. Daniels. O voo durou 12 segundos e cobriu 36 metros. Imagem de John T. Daniels, Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • Modelo da escultura Ícaro, de Georges Colin, em foto de imprensa da Agência Meurisse de novembro de 1909; o catálogo da BnF o registra como o monumento que seria inaugurado em Bagatelle. Imagem de Agência de imprensa Meurisse (comanditária), Domínio público, via Wikimedia Commons.
  • A Encantada, casa que Santos-Dumont mandou construir em Petrópolis, hoje museu, vista da rua em 2021. Imagem de Boaventuravinicius, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Os textos são nossos, escritos a partir das fontes acima. Frases entre aspas são das pessoas citadas; as traduções são livres e trazem o original à mão. Fatos sobre pessoas vivas valem até 1 de outubro de 2026. Achou um erro? Avise pelo contato.

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