
Imagem: Daphne Weld Nichols · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Diretora de software de voo da Apollo (MIT) · Fundadora da Higher Order Software · Fundadora da Hamilton Technologies
Margaret Hamilton: da meteorologia ao software de voo da Apollo
Dirigiu o software de voo da Apollo no MIT; na descida da Apollo 11, o computador descartou tarefas e o controle de missão mandou seguir.
Olhando para trás, éramos as pessoas mais sortudas do mundo; não havia escolha a não ser sermos pioneiros; não havia tempo para sermos iniciantes.
Ler no original
Looking back, we were the luckiest people in the world; there was no choice but to be pioneers; no time to be beginners.
Em resumoQuem é e por que importa
Margaret Hamilton nasceu em 17 de agosto de 1936, em Paoli, no estado americano de Indiana, e morreu em 30 de setembro de 2026, aos 90 anos, num hospital de Cambridge, em Massachusetts. 12 Formada em matemática, foi do software de previsão do tempo ao projeto Apollo: dirigiu a Divisão de Engenharia de Software do Laboratório de Instrumentação do MIT, responsável pelo software de voo dos computadores das espaçonaves. 16
Na descida da Apollo 11, em 20 de julho de 1969, o computador de bordo emitiu alarmes de sobrecarga, os códigos 1202 e 1201, a poucos minutos do pouso. O software reiniciou o computador, manteve as tarefas essenciais e deixou as demais de lado, e o controle de missão, em Houston, decidiu seguir. 91019 O desfecho costuma ser atribuído a ela, mas as fontes mostram também outras pessoas no MIT e na NASA, e esta biografia conta as duas partes. 1112
Depois do MIT, Hamilton fundou duas empresas de software, a Higher Order Software, em 1976, e a Hamilton Technologies, em 1986. 1 Recebeu o NASA Exceptional Space Act Award em 2003 e a Medalha Presidencial da Liberdade em 2016. 113 O texto abaixo separa o que ela contou, o que os relatórios da NASA e do MIT registram e os pontos em que os relatos divergem, como a causa dos alarmes, a foto da pilha de listagens e a origem do termo engenharia de software. 4918
Ficha
- Morte
- 30 de setembro de 2026, num hospital de Cambridge, Massachusetts, aos 90 anos 2
- Formação
- Bacharelado em matemática pelo Earlham College (Indiana), em 1958, com filosofia como área secundária 1
- Primeiro emprego
- No MIT, em 1959, programando software de previsão do tempo para o meteorologista Edward Lorenz 12
- Defesa aérea
- De 1961 a 1963, programadora do projeto SAGE, no MIT Lincoln Laboratory 5
- Na Apollo
- Diretora da Divisão de Engenharia de Software do Laboratório de Instrumentação do MIT, responsável pelo software de bordo da Apollo 6
- Empresas
- Higher Order Software (1976) e Hamilton Technologies (1986) 1
- Publicações
- Mais de 130, segundo o MIT 1
A matemática e o primeiro computador
Margaret Hamilton nasceu em Paoli, em Indiana, e deixou a cidade com seis semanas de vida. 24 Cresceu em cidades pequenas do Meio-Oeste e fez o ensino médio na Península Superior de Michigan. 4 A mãe dava aulas no ensino médio, e o pai, professor universitário de inglês, filosofia e poesia, presidiu a Sociedade de Poesia de Michigan. 4
Começou matemática na Universidade de Michigan, em 1955, e se transferiu para o Earlham College, onde se formou em 1958 com bacharelado em matemática e filosofia como área secundária. 1 Contou ao Computer History Museum que a chefe do departamento, Florence Long, a fez querer ensinar matemática numa universidade. 4
A informática ainda não era assunto de sala de aula. Num verão de faculdade, Hamilton trabalhou como aprendiz de atuária numa seguradora em Hartford, numa sala cheia de calculadoras Marchant operadas em sua maioria por mulheres, e recusou o convite dos executivos para seguir como atuária. 4 O plano era fazer pós-graduação em matemática abstrata na Brandeis, o que ela adiou para sustentar a família enquanto o marido estudava. 4
Em 1959 mudou-se para Boston e achou uma vaga provisória no departamento de meteorologia do MIT, com o professor Edward Lorenz, que precisava de alguém para programar. 14 Ela nunca tinha chegado perto de um computador. 4 O de Lorenz era um LGP-30, que ficava no escritório dele, e foi o próprio professor quem lhe passou o que sabia: entregava as instruções e mostrava truques, como pôr o código nas posições certas do tambor magnético da máquina para o programa rodar mais depressa. 45
Lorenz é o meteorologista associado à teoria do caos e ao efeito borboleta, e a Linda Hall Library nota que o trabalho de Hamilton para ele coincidiu com a época em que ele descobria esse efeito. 20 O MIT afirma que o trabalho dela alimentou publicações posteriores de Lorenz sobre o caos. 1 Segundo a ficha dela no Computer History Museum, quem programava naquela época aprendia na prática, porque não havia cursos formais de ciência da computação nas universidades. 5 Depois, Hamilton contratou e treinou outra pessoa para escrever o software de Lorenz. 4
SAGE: onde o erro não tinha como se esconder
De 1961 a 1963, Hamilton trabalhou no MIT Lincoln Laboratory, no projeto SAGE, o primeiro sistema de defesa aérea dos Estados Unidos. 15 Escreveu software para o protótipo do computador AN/FSQ-7, o XD-1, usado pela Força Aérea para procurar aviões possivelmente hostis. 1
Ela conta que o recrutador, que só entrevistara homens no quarto do hotel, propôs fazer a conversa no bar do hotel, e que foi contratada ali. 4 Como não podia viajar, não fez o curso de seis a oito semanas sobre as instruções da máquina e estudou por conta própria; segundo ela, quando os colegas voltaram, já tinha adiantado a maior parte do trabalho. 4
Entre as primeiras tarefas dos novatos estava um programa deixado por um colega que saíra, escrito num estilo tão engenhoso que ninguém o entendia, com comentários em latim e em grego. 4 Hamilton conseguiu fazê-lo rodar, e ele imprimiu os resultados. 4 Dali tirou uma regra para si: quando escrevesse programas, colocaria comentários. 4
O que mais a marcou no SAGE foi a visibilidade do erro. Quando um programa travava, a máquina disparava campainhas e luzes, e todos corriam para descobrir de quem era o programa. 45 O Computer History Museum liga esse ambiente ao interesse que ela passou a ter por software confiável. 5
Quando o computador travava durante a execução do seu programa, não havia onde se esconder.
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When the computer crashed during the execution of your program, there was no hiding.
O Laboratório de Instrumentação e a Apollo
O Laboratório de Instrumentação do MIT, hoje independente com o nome de Draper Laboratory, fechou em 1961 o contrato com a NASA para o sistema de orientação da Apollo. 7 Em 1965, segundo o MIT, Hamilton se preparava para voltar à pós-graduação quando surgiu um anúncio de jornal: o laboratório procurava gente para escrever software que levasse o homem à Lua. 1 A pergunta da entrevista dela ao Guardian, em 2019, fala em 1964, e o MIT fala em 1965. 118
Imagem: ArnoldReinhold · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
O MIT diz que ela foi contratada como a primeira programadora do projeto no laboratório e a primeira mulher da equipe. 1 Hamilton contou ao Guardian que os engenheiros que já estavam no projeto eram de hardware e que, a seu ver, o laboratório concluiu que ela daria conta do desconhecido. 18
Ela começou nas missões não tripuladas e foi promovida a líder da equipe do software de voo das missões tripuladas. 1 Hamilton descreve o caminho assim: primeiro o software de sistemas, a parte compartilhada pelos computadores do módulo de comando e do módulo lunar; depois o software do módulo de comando; por volta da Apollo 8, todo o software de bordo. 4 Em 1968, segundo o MIT, era diretora-assistente responsável pela equipe do módulo de comando e de serviço, e mais de 400 pessoas trabalhavam no software da Apollo. 1
Imagem: NASA · Domínio público · Wikimedia Commons
O número muda conforme o que se conta. Hamilton diz que o grupo dela chegou a cerca de 100 pessoas e que outras 300 a 400, os colaboradores de outras áreas, enviavam código que, ao entrar na versão, passava a ser responsabilidade do grupo. 4 Cada missão tinha dois supervisores de montagem, apelidados de rope mothers, em referência à memória de corda em que o programa acabava gravado, na Raytheon. 4
Imagem: NASA (enviada por Grabert na Wikipédia em alemão) · Domínio público · Wikimedia Commons
Uma falha dela virou prática de trabalho. Hamilton conta que, ao pôr uma mudança sua no software de sistemas da versão do dia, todos os programas travaram e os colegas foram até a porta dela perguntar o que tinha feito. 4 A partir daí exigiu uma versão offline: a mudança só entrava na versão principal depois de funcionar ali. 4 Sobre o clima do laboratório, escreveu que, por ser o software um mistério, a direção deu à equipe liberdade e confiança totais. 6
O bug da Lauren e a Apollo 8
A Apollo 8 decolou em 21 de dezembro de 1968, com Borman, Lovell e Anders, e deu dez voltas na Lua na véspera de Natal, num voo de 147 horas. 16 Segundo o relatório de David Hoag, diretor do laboratório, foi a primeira vez que os Estados Unidos mandaram homens à Lua, com o sistema de orientação do MIT participando do voo. 16
Imagem: NASA / Bill Anders · Domínio público · Wikimedia Commons
Antes desse voo, Hamilton viveu um episódio que ela e o MIT contam do mesmo jeito. Ela às vezes levava a filha, Lauren, então com quatro anos, ao laboratório. A menina brincava de astronauta no simulador do módulo de comando e selecionou, com o simulador em voo, o programa P01, de pré-lançamento, e o simulador travou. 14
Hamilton propôs uma mudança no software para impedir a seleção do P01 em voo. Foi vencida: o argumento, nas palavras dela e do MIT, era que astronautas treinados jamais cometeriam o erro. 14 Ela ao menos conseguiu registrar uma nota na documentação do programa dizendo para não selecionar o P01 em voo. 4
Mas todos nós cometemos erros. Até astronautas podem cometer um erro.
Ler no original
But we all make mistakes. Even astronauts could make a mistake.
Na Apollo 8, o erro aconteceu: Jim Lovell selecionou o P01 durante o voo, e os dados de navegação desapareceram. 1 O MIT diz que Hamilton e a equipe foram chamados para resolver e que, depois, a mudança que ela havia proposto entrou no programa. 1 Ela chamou o caso de bug da Lauren. 418 O MIT o descreve como exemplo inicial de programação defensiva: software que prevê o erro e o corrige por conta própria. 1 O relatório de Hoag não menciona o P01, mas registra que, nos poucos problemas operacionais do voo, o computador deu o alarme correto e os astronautas se recuperaram sem ajuda do solo. 16
Alarmes prioritários e a contagem até cinco
Por volta de 1966, segundo Hamilton, ela passou a se preocupar com uma pergunta: e se houvesse uma emergência e os astronautas não soubessem, porque o computador só mostrava o que eles pediam? 4 O software de bordo era assíncrono, mas não podia interromper a tela da tripulação. 4 Ela queria que o computador interrompesse os astronautas para avisar de uma emergência. 4
Numa reunião com gente de software e de hardware, os de hardware disseram que não dava, porque o equipamento não ficava ligado durante toda a missão e um deles temia que não aguentasse. 4 Ela sugeriu deixá-lo ligado, e dias depois a resposta foi que fariam isso. 4 Os engenheiros de sistemas objetaram que a conversa entre homem e computador viraria um problema de paralelismo. 4
Naquela noite, conta Hamilton, ela foi para casa decidida a resolver a objeção e voltou no dia seguinte com uma solução rudimentar: o astronauta contaria até cinco antes de responder a um alarme prioritário, para saber a qual tela estava respondendo. 4 A prática entrou nas listas de verificação da tripulação e ficou conhecida como a tela de cinco segundos. 4
Imagem: ArnoldReinhold · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Um relatório do próprio laboratório sobre o teclado e o visor do computador, de Alan Green e Robert Filene, diz que as Display Interface Routines, as rotinas que ficam entre os programas da missão e o sistema de teclado e visor, foram escritas por Margaret Hamilton. 15 Ela diz ter escrito pessoalmente as telas prioritárias. 4 O Computer History Museum resume o conjunto como o que permitia ao software interromper os astronautas e trocar as telas normais por telas de emergência. 5
A base disso era uma peça que não foi dela. O executivo do computador, o escalonador que dava prioridade a cada tarefa e suspendia as menos importantes quando chegava uma mais urgente, foi projetado por Hal Laning em meados dos anos 1960, segundo Don Eyles. 12 Eyles conta também que, cerca de um ano antes da Apollo 11, a equipe do software lunar recebeu o pedido de escrever o programa de pouso de modo que o computador pudesse ser desligado e religado sem interromper a manobra, a chamada proteção contra reinício. 12
20 de julho de 1969: a descida
A Apollo 11 foi lançada em 16 de julho de 1969. 6 Em 20 de julho, o módulo lunar Eagle iniciou a descida com a ignição do motor por volta de 102 horas e 33 minutos de tempo de missão. 1012
Imagem: NASA · Domínio público · Wikimedia Commons
Cerca de cinco minutos depois, Neil Armstrong avisou: alarme de programa. 1012 Era um 1202. 10 Em Houston, Steve Bales, de 26 anos, responsável pelo computador de orientação do módulo lunar, tinha de dizer se era seguir ou abortar. 1012 Numa simulação antes da missão, o controle abortara por causa de um alarme parecido, e o diretor de voo, Gene Kranz, mandou listar os alarmes possíveis. 19 Bales passou a tarefa a Jack Garman, e a lista, escrita à mão, ficava embaixo do vidro do console. 19
Garman olhou a lista: o 1202 indicava sobrecarga, e, se o alarme não se repetisse demais, estava tudo bem. 19 Bales respondeu que era go, e o comunicador de cápsula, Charlie Duke, repassou à tripulação. 1219 Na sala de apoio, em Houston, Russ Larson, do MIT, estava ao lado de Garman e fez sinal de positivo com o polegar. 12
Estamos em go para esse alarme.
Ler no original
We're Go on that alarm.
Imagem: NASA · Domínio público · Wikimedia Commons
Os alarmes voltaram. Buzz Aldrin percebeu que um deles aparecia quando ele pedia a tela 16/68, que mostrava a distância até o local de pouso, e passou a pedir essa informação a Houston. 1012 Perto de 102h42 veio um 1201, e Duke respondeu que era o mesmo tipo e que seguiam em go. 10 Eyles registra três alarmes 1201 e 1202 em 40 segundos na fase de aproximação, a P64. 12 Armstrong passou o piloto automático para o modo de atitude fixa às 102h43m08s e depois entrou no modo semimanual P66, onde ficou 2 minutos e 20 segundos, sem novos alarmes, até o pouso. 12
Eagle tocou o Mar da Tranquilidade às 102h45m40s de missão, cerca de sete minutos depois do primeiro alarme. 101219 Na sala de monitoramento do laboratório, em Cambridge, Hamilton ouvia as conversas com o controle de missão quando as telas normais foram interrompidas pelas telas de prioridade; ela escreveu que olhou para Fred Martin, do outro lado da sala, e ele para ela. 6 Em 2017, disse que tudo aconteceu rápido demais para haver consulta ao laboratório. 4
Por que o computador não travou, e quem fez o quê
O relatório da missão, de novembro de 1969, registra cinco alarmes de programa na descida, do tipo executive overflow: o computador não conseguia fazer tudo o que lhe era pedido no ciclo. 9 Segundo o relatório, mais de 10% da capacidade do computador estava sendo ocupada por interrupções de contagem sem sentido, vindas das unidades que ligam o radar de encontro ao computador. 9
Havia sido decidido antes do voo que alarmes desse tipo não impediriam a continuação do voo.
Ler no original
However, it has been decided before flight that bailout-type alarms such as these would not prevent continuing the flight
A raiz, segundo o relatório, estava na ligação entre o radar e o computador: a tensão de 800 hertz que excitava o radar vinha de um sistema travado em frequência com a do computador, mas não em fase. 9 Don Eyles acrescenta que a falha estava na documentação da interface, que pedia sincronia de frequência e não de fase, e que o problema fora detectado em testes do módulo LM-3 sem ser corrigido. 12 Com a chave do radar em AUTO ou SLEW, posições previstas nos procedimentos da tripulação, os contadores subiam e desciam quase sem parar e consumiam de 13% a 15% do tempo do computador. 912
A folga era pequena. O computador operava a cerca de 90% da capacidade no pico da descida, segundo o relatório, e a tela 16/68 tirava um pouco mais. 912 Quando a tarefa longa de navegação não terminava antes de ser agendada de novo, o executivo reservava outra área de memória, até esgotá-las, e chamava o alarme. 12
Imagem: NASA · Domínio público · Wikimedia Commons
Foi aí que o desenho do software contou. A cada alarme, o computador reiniciava, descartava a fila de tarefas acumuladas e retomava só o que estava protegido contra reinício, como a direção do motor e a tela da tripulação. 1112 Hamilton descreveu o mecanismo, em 2009, como o de limpar toda a fila e reiniciar as funções, deixando passar só as de maior prioridade até o pouso. 6
Esse desfecho teve vários autores. Hal Laning projetou o executivo. 12 Don Eyles e Peter Adler, dois jovens do laboratório, programaram as rotinas de voo propulsado do módulo lunar: Eyles ficou com a descida, e Adler com as demais fases com motor, exceto a subida. 11 Em Houston, George Cherry, gerente do sistema de orientação no MIT, diz ter respondido ao controle que os dados baixados pareciam normais. 6 A causa só foi explicada depois: George Silver, especialista no radar de encontro, ouviu os alarmes pela TV, lembrou de um caso dos testes do LM-3 e só conseguiu falar com os representantes do MIT em Houston na manhã de 21 de julho, menos de uma hora antes da decolagem da Lua. 12
O papel de Hamilton foi liderar a divisão que escreveu e testou o software de voo, incluindo a parte de sistemas, com a detecção de erros, a recuperação e as telas prioritárias. 5615 Em 2017 ela apontou Garman como quem decidiu pelo prosseguimento e disse que os dois recordaram aquele dia muitas vezes. 4
O nome do ofício e as empresas
Hamilton conta que, no laboratório, os engenheiros de hardware e os aeronáuticos eram engenheiros e os programadores eram tratados como cidadãos de segunda classe. 4 Nas simulações, notou que decisões de projeto, interrupções e interfaces eram parecidas no hardware e no software, e propôs chamar uma parte do sistema de engenharia de software. 4 Os colegas acharam graça, até que um respeitado engenheiro de hardware disse, numa reunião grande, que o que eles faziam era engenharia tanto quanto o hardware. 418
Ei, nós também somos engenheiros.
Ler no original
Hey, we’re engineering too.
Quem inventou o termo? Hamilton diz que o usou na Apollo, e a Linda Hall Library situa o uso a partir de 1968. 20 Brian Randell, que foi coeditor do relatório da conferência da OTAN em Garmisch-Partenkirchen, em 1968, escreveu que o termo era então essencialmente desconhecido e que o título da conferência foi escolhido, ele pensa que por Fritz Bauer, para provocar. 23 Bertrand Meyer achou a expressão em uma carta de agosto de 1966 do presidente da ACM, Anthony Oettinger. 24 A própria Hamilton, na história oral, deixou a dúvida: não sabe se o termo já era conhecido na Rússia ou em outro lugar. 4
Hamilton deixou o MIT em meados dos anos 1970. 1 Segundo o Computer History Museum, chefiou também o esforço do software de voo do Skylab, e a Agência FAPESP registrou em 2003 que, depois da Apollo, ela trabalhou nos programas do Skylab e do ônibus espacial. 521
Em março de 1976, publicou com Saydean Zeldin, na revista IEEE Transactions on Software Engineering, o artigo Higher Order Software, sobre uma metodologia para definir software. 17 No mesmo ano criou a Higher Order Software, empresa baseada na prevenção de erros e na tolerância a falhas, e a Wikipédia registra Zeldin como cofundadora. 125 Em 1986 criou a Hamilton Technologies, cujo produto principal é a Universal Systems Language (USL), uma linguagem e metodologia de modelagem para sistemas que priorizam a prevenção de erros. 1
A ideia central da USL, segundo o Computer History Museum, é que, em vez de procurar mais formas de testar erros e testar até o fim do ciclo, a maioria dos erros nem entra no sistema, pela forma como ele é definido. 5 Hamilton repetiu a lição ao Guardian em 2019: definir o sistema desde o início para minimizar erros, em vez de produzir código e corrigi-lo com remendos sobre remendos. 18
A fama tardia e a despedida
Em 3 de setembro de 2003, a NASA anunciou que Hamilton recebera o NASA Exceptional Space Act Award por contribuições científicas e técnicas. 8 O administrador da agência, Sean O'Keefe, disse que os conceitos criados por ela e pela equipe se tornaram os alicerces da engenharia de software moderna, e Paul Curto, que a indicou, disse ter se surpreendido ao descobrir que ela nunca fora formalmente reconhecida. 8 A Agência FAPESP informou que o prêmio veio com US$ 37,2 mil, o maior valor já entregue a um indivíduo na história da NASA. 21
O historiador William Ashworth, da Linda Hall Library, escreveu em 2021 que, nos dois livros que consultou sobre o computador da Apollo e a computação no programa, de 1996 e 2008, Hamilton quase não aparece, e sugere que a atenção das redes sociais às mulheres cientistas ajudou a mudar isso depois de 2016. 20 O curador do Smithsonian Andrew Meade McGee diz que ela só foi amplamente reconhecida fora da computação e da aeronáutica nas últimas duas décadas. 3
A foto de 1969 em que Hamilton aparece ao lado de uma pilha de listagens circulou nas redes e a tornou um ícone para mulheres na ciência e na tecnologia, segundo o MIT. 17 Sobre a origem da imagem, o MIT diz que quem a fez foi um fotógrafo do laboratório, para divulgar o trabalho do Laboratório de Instrumentação. 7 Hamilton disse ao Guardian que a pilha foi montada com todas as listagens da Apollo que havia na sala dela. 18
Imagem: Draper Laboratory (restaurada por Adam Cuerden) · Domínio público · Wikimedia Commons
Em 22 de novembro de 2016, o presidente Barack Obama entregou a ela a Medalha Presidencial da Liberdade, na Sala Leste da Casa Branca. 113 Ao anunciar os 21 premiados em 16 de novembro, a Casa Branca resumiu que ela contribuíra para conceitos de software assíncrono, escalonamento por prioridade, telas de prioridade e decisão com humano no circuito. 14
Nossos astronautas não tinham muito tempo. Mas, felizmente, tinham Margaret Hamilton.
Ler no original
Our astronauts didn't have much time. But thankfully, they had Margaret Hamilton.
Vieram ainda o título de Fellow do Computer History Museum, em 2017, o conjunto Women of NASA, da Lego, também em 2017, e, em 2019, o Intrepid Lifetime Achievement Award e uma homenagem do Google, que usou mais de 100 mil espelhos de uma instalação solar no deserto de Mojave para desenhar o retrato dela com a luz da Lua. 1520 A posse da turma de 2022 do National Aviation Hall of Fame, que incluía Hamilton, estava marcada para 24 de setembro de 2022, e em 2025 o Museu Nacional do Ar e do Espaço, do Smithsonian, deu a ela o Troféu Michael Collins pelo conjunto da obra. 1322
Hamilton morreu em 30 de setembro de 2026, aos 90 anos, num hospital de Cambridge, e a filha, Lauren Hamilton, comunicou a morte à Associated Press. 2 O MIT publicou o obituário em 7 de outubro de 2026 e informou que haverá uma cerimônia em memória dela na primavera, em Cambridge. 1 O administrador da NASA, Jared Isaacman, escreveu na rede X que o trabalho dela ajudou a tornar possíveis as primeiras viagens humanas à Lua. 2 Segundo Maia Weinstock, criadora do conjunto de Lego, em texto ao Nature resumido pelo MIT, Hamilton trabalhou na Hamilton Technologies até depois dos 80 anos. 1
Em destaqueMaiores feitos
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1965 a 1969Software de voo da Apollo
Dirigiu a Divisão de Engenharia de Software do Laboratório de Instrumentação, responsável pelo software de bordo, que em 1968 envolvia mais de 400 pessoas segundo o MIT. 16
Imagem: Steve Jurvetson · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
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1968
Defesa contra o erro do operador
Depois do P01 selecionado por engano na Apollo 8, a mudança que ela propusera entrou no programa, exemplo inicial de programação defensiva segundo o MIT. 1
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1969A descida da Apollo 11 com alarmes
O computador reiniciou e manteve as tarefas essenciais a cada alarme 1201 ou 1202, e o controle de missão decidiu seguir; o desfecho envolveu também Laning, Eyles, Bales e Garman. 91219
Imagem: NASA · Domínio público · Wikimedia Commons
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1986
Hamilton Technologies e a USL
Criou a empresa cujo produto principal é a Universal Systems Language, linguagem e metodologia de modelagem que prioriza a prevenção de erros. 1
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2016Medalha Presidencial da Liberdade
Recebeu de Barack Obama, em 22 de novembro de 2016, a mais alta honraria civil dos Estados Unidos, por contribuições a software assíncrono, escalonamento por prioridade e telas de prioridade. 1314
Imagem: Lawrence Jackson (foto oficial da Casa Branca) · Domínio público · Wikimedia Commons
Do começo até aquiLinha do tempo
Nasce em Paoli
Formatura em matemática
Conclui o bacharelado em matemática no Earlham College. 1
Primeiro emprego no MIT
Passa a programar software de previsão do tempo para Edward Lorenz, na meteorologia do MIT. 12
O laboratório fecha com a NASA
O Laboratório de Instrumentação do MIT contrata com a NASA o sistema de orientação da Apollo. 7
SAGE
Trabalha no projeto SAGE, no MIT Lincoln Laboratory. 5
Entra na Apollo
Segundo o MIT, começa no Laboratório de Instrumentação, para o software de voo. 1
A ideia das telas de emergência
Segundo ela, surge a ideia de o software interromper a tela dos astronautas em caso de emergência. 4
Diretora-assistente
Segundo o MIT, é diretora-assistente da equipe do módulo de comando e de serviço, com mais de 400 pessoas no software da Apollo. 1
Conferência da OTAN sobre engenharia de software
A conferência de Garmisch-Partenkirchen leva o termo no título. 23
Voo da Apollo 8
Durante o voo, Jim Lovell seleciona o P01 por engano e os dados de navegação somem. 116
Lançamento da Apollo 11
A Apollo 11 decola rumo à Lua. 6
Alarmes 1202 e 1201 na descida
Houston decide seguir a cada alarme, e o Eagle pousa às 102h45m40s de missão. 1012
A causa chega ao MIT em Houston
George Silver consegue passar a explicação do radar de encontro, menos de uma hora antes da decolagem da Lua. 12
Relatório da missão
O relatório atribui os alarmes a interrupções do radar de encontro. 9
Deixa o MIT
Hamilton deixa o MIT depois de cerca de duas décadas. 1
Artigo sobre Higher Order Software
Hamilton e Saydean Zeldin publicam o artigo na IEEE Transactions on Software Engineering. 17
Higher Order Software
Cria a primeira empresa de software. 1
Hamilton Technologies
Cria a segunda empresa, em torno da USL. 1
Prêmio da NASA
A NASA anuncia o Exceptional Space Act Award. 8
Medalha da Liberdade
Obama entrega a medalha na Casa Branca. 13
Fellow do Computer History Museum
Recebe o título; a entrevista de história oral é gravada em 13 de abril. 45
Intrepid e Google
Recebe o Intrepid Lifetime Achievement Award; o Google a homenageia com espelhos no deserto. 120
Hall da Fama da Aviação
Data marcada para a posse da turma de 2022 do National Aviation Hall of Fame, que incluía Hamilton. 22
Morre aos 90 anos
Hamilton morre num hospital de Cambridge, Massachusetts. 2
Sem enfeiteO que a história também registra
Registros públicos e críticas documentadas, com a fonte de cada um. É parte da biografia, não um julgamento.
A foto da pilha de listagens
O MIT diz que a foto, de 1969, foi feita por um fotógrafo do Laboratório de Instrumentação para divulgar o trabalho do laboratório, e que a legenda original fala em listagens do software da equipe do módulo lunar e do módulo de comando. 7 Hamilton contou ao Guardian, em 2019, que ela e colegas pegaram todas as listagens da Apollo que havia na sala dela para montar a torre. 18 O historiador William Ashworth, da Linda Hall Library, escreveu em 2021 que suspeita de exagero, porque programadores que relataram a noite do pouso falam em livros de código de seis polegadas de espessura, e não de sessenta. 20 Pelo relato dela, a pilha mostra listagens de vários programas, e não o código de um só. 18
A ideia de que ela salvou a Apollo 11 sozinha
Os registros mostram uma cadeia de pessoas. Hal Laning projetou o executivo do computador. 12 Don Eyles e Peter Adler programaram as rotinas de voo propulsado do módulo lunar. 11 Em Houston, Steve Bales respondeu go, apoiado por Jack Garman, que tinha a lista de alarmes, e por Russ Larson, do MIT, e Charlie Duke transmitiu a decisão à tripulação. 1219 A NASA, em 2003, creditou a Hamilton e à equipe um trabalho pioneiro de software de voo. 8 O MIT escreveu em 2026 que Houston confiou no software dela. 1 A própria Hamilton, em 2017, apontou Garman como quem decidiu pelo prosseguimento. 4
A causa dos alarmes: versões que divergem
Em 2009, Hamilton escreveu que a origem do erro foi encontrada depois no documento de lista de verificação do astronauta, que mandava pôr a chave do radar na posição errada. 6 O comunicado da NASA de 2003 fala em um roteiro de operações defeituoso. 8 O relatório da missão atribui os alarmes à configuração da interface entre o radar, o computador e a fonte de 800 hertz, que não estava travada em fase. 9 Don Eyles escreveu que a formulação erro de lista de verificação é imprecisa: as posições da chave eram as previstas nos procedimentos, e o problema estava na documentação da interface. 12 Hamilton escreveu em 2009 que logo ficou claro que o software avisava de um problema de hardware e o compensava. 6 Eyles registra que George Silver só conseguiu passar a explicação ao MIT em Houston na manhã de 21 de julho. 12
A sequência dos alarmes e das decisões
Obama, em 2016, disse que os alarmes soaram três minutos antes do toque. 13 A NASA, em 2003, usou a mesma marca de cerca de três minutos. 8 Pela transcrição da NASA, o primeiro alarme, um 1202, veio cerca de sete minutos antes do toque, e o 1201 entre três e quatro minutos antes, conforme a fonte dos horários. 10 Em 2017, Hamilton disse que o astronauta soube que a chave estava na posição errada, pôs de volta e pousaram. 4 O registro de Eyles mostra novos alarmes na aproximação e a mudança do piloto automático por Armstrong às 102h43m08s. 12 Sobre quem disse go, um colega do MIT lembra Garman gritando go, go. 6 O próprio Garman conta que gritou same type e que Bales avisou Kranz, e a collectSPACE diz que Duke repassou a decisão antes de o diretor responder. 19 Eyles escreve que Kranz também disse go. 12
O rótulo inventou a engenharia de software
A ficha do Computer History Museum diz que Hamilton criou o termo. 5 O MIT diz que ela ajudou a estabelecer a engenharia de software como disciplina. 1 O Guardian perguntou se ela inventou ou ao menos popularizou o termo. 18 Randell escreveu que o termo era essencialmente desconhecido em 1968. 23 Meyer encontrou a expressão numa carta de 1966 do presidente da ACM. 24 Hamilton, por sua vez, diz não saber se alguém já usara o termo antes dela. 4
A afirmação de que nunca houve erro de software
O Guardian escreveu em 2019 que nenhum erro de software teria ocorrido nas missões tripuladas da Apollo. 18 O Smithsonian, em 2026, cita o Wall Street Journal para dizer que nenhum problema foi encontrado no software que ela supervisionou. 3 Os registros do programa mostram episódios. A própria Hamilton chama de bug da Lauren o caso do P01 na Apollo 8. 4 Eyles descreve oscilações de cerca de 25% no acelerador do motor de descida nos dados das Apollo 11 e 12, ligadas a um valor de compensação do software, e diz que a correção não estava na Apollo 13. 12 Adler cita o remendo da Apollo 14 para ignorar um interruptor de aborto com defeito. 11
Leitura do autorO que fica
Isto é interpretação, não fato: o que esta história pode ensinar a quem constrói.
Projete para o que não deveria acontecer
O episódio do P01 na Apollo 8 mostra o custo de dizer que o usuário nunca erraria. Hamilton insistiu, perdeu a discussão e viu o erro acontecer no voo. A lição de engenharia é tratar o erro humano como requisito, não como exceção.
Diga o que você precisa e insista
A tela de emergência nasceu de uma preocupação dela e de duas respostas de que não dava. Ela voltou com uma sugestão e depois com uma solução. Quem tem uma ideia de outra área precisa de paciência para ouvir o não e voltar com um plano.
Dê nome ao que você faz
A história do termo engenharia de software é a de uma disputa por respeito. Chamar de engenharia o que se faz, e se comportar como tal, mudou o jeito de o laboratório tratar o software.
Prioridade é decisão de projeto
Na descida da Apollo 11, o computador sabia o que manter e o que largar, porque alguém tinha decidido isso muito antes. Definir o que é essencial antes da emergência é o que torna possível a recuperação.
Crédito é coletivo, e dá para nomear quem fez o quê
O pouso de 1969 teve Laning, Eyles, Adler, Bales, Garman, Larson, Silver e muitos outros. A biografia de Hamilton fica mais forte quando mostra o que foi dela e o que foi de quem estava ao lado, em vez de transformar uma pessoa em lenda.
Uma falha pode virar processo
Quando uma mudança dela travou os programas dos colegas, Hamilton criou a versão offline. Errar na frente de todos, e transformar o erro numa regra, é uma forma de liderança que se repete em qualquer equipe.
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Respostas rápidasPerguntas frequentes
Quem foi Margaret Hamilton?
Foi uma cientista da computação americana, nascida em 1936, que dirigiu a Divisão de Engenharia de Software do Laboratório de Instrumentação do MIT, responsável pelo software de bordo da Apollo, e que depois fundou duas empresas de software. 16
Quando e como Margaret Hamilton morreu?
Morreu em 30 de setembro de 2026, aos 90 anos, num hospital de Cambridge, Massachusetts. A morte foi comunicada pela filha à Associated Press, e as fontes que abri não informam a causa. 12
O que aconteceu com os alarmes 1201 e 1202 na Apollo 11?
O computador de bordo ficou sobrecarregado durante a descida, emitiu alarmes e reiniciou, mantendo as tarefas essenciais, e o controle de missão decidiu seguir a cada alarme. O relatório da NASA atribui a sobrecarga a interrupções vindas do radar de encontro. 91012
Margaret Hamilton inventou o termo engenharia de software?
Ela diz que passou a usar o termo no laboratório da Apollo. Outras fontes mostram usos de 1966 e o título da conferência da OTAN de 1968, e ela própria diz não saber se o termo já existia. 42324
A foto dela ao lado da pilha de listagens mostra o código da Apollo 11?
Mostra listagens de vários programas da Apollo, montadas para a foto de divulgação de 1969, segundo o relato dela ao Guardian. 718
Quer mais?Para ir além
- What the Errors Tell UsMargaret H. Hamilton, 2018. Artigo dela na IEEE Software (v. 35, n. 5, p. 32-37), sobre como os erros orientaram o projeto de sistemas.
- Universal Systems Language: Lessons Learned from ApolloMargaret H. Hamilton e William R. Hackler, 2008. Artigo na revista Computer (v. 41, n. 12, p. 34-43), com as lições da Apollo que ela diz ter transformado na USL.
- Tales from the Lunar Module Guidance ComputerDon Eyles, 2004. Relato de quem programou a descida lunar sobre o computador, os alarmes da Apollo 11 e outros episódios.
- Digital ApolloDavid Mindell, 2008. Livro sobre a Apollo e a computação, publicado pelo MIT Press e citado pelo MIT News, em 2009, como obra de Mindell.
Onde conferirFontes
Cada número no texto aponta para uma destas fontes, abertas e lidas por quem escreveu em 29 de outubro de 2026.
- 1Margaret Hamilton, computing pioneer who led software development for the Apollo program, dies at 90InstituiçãoMIT News, Janine Liberty, 2026-10-07. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 2Margaret Hamilton, pioneering MIT scientist who led a software team for NASA’s Apollo program, dies at 90ImprensaWBUR, Jamie Stengle (Associated Press), 2026-10-09. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 3Margaret Hamilton, a Pioneering Software Engineer Who Made the First Human Moon Landing Possible, Dies at 90ImprensaSmithsonian Magazine, Margherita Bassi, 2026-10-09. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 4Oral History of Margaret HamiltonFonte primáriaComputer History Museum, David C. Brock (entrevistador), 2017-04-13. Acessada em 29 de outubro de 2026. Entrevista gravada em 13 de abril de 2017, em Boston; transcrição em PDF, com notas que Hamilton acrescentou em 2021.
- 5Margaret Hamilton, 2017 FellowInstituiçãoComputer History Museum. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 6Recalling the “Giant Leap”Fonte primáriaMIT News, David Chandler (MIT News Office); depoimentos de Margaret Hamilton e colegas, 2009-07-17. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 7Scene at MIT: Margaret Hamilton’s Apollo codeInstituiçãoMIT News, Maia Weinstock, 2016-08-17. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 8NASA Honors Apollo Engineer (comunicado de imprensa)InstituiçãoNASA (reproduzido no Apollo 11 Lunar Surface Journal), 2003-09-03. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 9Apollo 11 Mission Report (MSC-00171)InstituiçãoNASA Manned Spacecraft Center, 1969-11. Acessada em 29 de outubro de 2026. PDF do relatório; as seções 13 e 16.2.5 tratam dos alarmes de computador na descida.
- 10The First Lunar Landing (Apollo 11 Lunar Surface Journal)InstituiçãoNASA, Eric M. Jones (transcrição corrigida e comentários). Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 11Apollo 11 Program AlarmsFonte primáriaNASA, Apollo Lunar Surface Journal (texto de 1998 usado com permissão), Peter Adler, 1998. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 12Tales from the Lunar Module Guidance Computer (AAS 04-064)Fonte primáriaDon Eyles (artigo apresentado à American Astronautical Society), Don Eyles, 2004-02-06. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 13Remarks on Presenting the Presidential Medal of FreedomFonte primáriaThe American Presidency Project (UC Santa Barbara), Barack Obama, 2016-11-22. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 14President Obama Names Recipients of the Presidential Medal of FreedomInstituiçãoThe White House (arquivo do governo Obama), Office of the Press Secretary, 2016-11-16. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 15Keyboard and Display Program and Operation (relatório E-2129)Fonte primáriaMIT Instrumentation Laboratory (cópia no Virtual AGC, ibiblio), Alan I. Green e Robert J. Filene. Acessada em 29 de outubro de 2026. PDF; a página 29 diz quem escreveu as Display Interface Routines.
- 16Report on Apollo 8 (Apollo Project Memorandum No. 3-69)Fonte primáriaMIT Instrumentation Laboratory (cópia no Virtual AGC, ibiblio), D. G. Hoag, 1969-01-10. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 17Higher Order Software: A Methodology for Defining SoftwareFonte primáriaIEEE Transactions on Software Engineering, v. SE-2, n. 1, p. 9-32, M. Hamilton e S. Zeldin, 1976-03. Acessada em 29 de outubro de 2026. Dados bibliográficos conferidos no registro Crossref do DOI; a página da IEEE não abre para robôs.
- 18Margaret Hamilton: ‘They worried that the men might rebel. They didn’t’ImprensaThe Guardian (The Observer), Zoë Corbyn, 2019-07-13. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 19Jack Garman, NASA engineer who ‘saved’ Apollo 11 from alarms, dies at 72ImprensacollectSPACE, 2016-09-20. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 20Scientist of the Day: Margaret HamiltonInstituiçãoLinda Hall Library, William B. Ashworth Jr., 2021-08-17. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 21Nasa condecora programadora pioneiraImprensaAgência FAPESP, Elton Alisson, 2003-09-03. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 22National Aviation Hall of Fame Announces Class of 2022ImprensaFlying Magazine, 2021-12-07. Acessada em 29 de outubro de 2026.
- 23Fifty Years of Software Engineering, or The View from GarmischFonte primáriaarXiv (palestra no ICSE 2018), Brian Randell, 2018-05. Acessada em 29 de outubro de 2026. Texto lido na versão em PDF do mesmo endereço.
- 24The origin of “software engineering”ImprensaBertrand Meyer’s technology+ blog, Bertrand Meyer, 2013-04-04. Acessada em 29 de outubro de 2026. Blog de autor; reproduz a carta de Anthony Oettinger publicada em agosto de 1966 na Communications of the ACM.
- 25Margaret Hamilton (software engineer)EnciclopédiaWikipédia em inglês. Acessada em 29 de outubro de 2026.
Créditos das imagens
- Margaret Hamilton em retrato de 1995, nove anos depois de fundar a Hamilton Technologies, em 1986. Imagem de Daphne Weld Nichols, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
- Hamilton ao lado de listagens do software da Apollo, em foto de divulgação do Laboratório de Instrumentação feita em 1969. Segundo ela, a pilha reúne todas as listagens da Apollo que havia na sala. Imagem de Draper Laboratory (restaurada por Adam Cuerden), Domínio público, via Wikimedia Commons.
- Hamilton numa cabine de treino da Apollo, em foto de divulgação sem data exata que a NASA publicou; o MIT descreve uma foto parecida como tirada numa réplica de módulo de comando. Imagem de NASA, Domínio público, via Wikimedia Commons.
- Barack Obama entrega a Medalha Presidencial da Liberdade a Margaret Hamilton, na Sala Leste da Casa Branca, em 22 de novembro de 2016. Imagem de Lawrence Jackson (foto oficial da Casa Branca), Domínio público, via Wikimedia Commons.
- O DSKY, teclado e visor pelos quais os astronautas falavam com o computador de orientação e viam os alarmes, no Computer History Museum, em foto de 2018. Imagem de ArnoldReinhold, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
- Computador de orientação primário e unidade inercial do módulo lunar, que, segundo a placa, foram usados na Base Edwards para desenvolver navegação. Pela descrição do arquivo, o conjunto vem do LM-2, hoje no Smithsonian, e traz o programa de testes Aurora, e não o de uma missão. Foto de 2019. Imagem de Steve Jurvetson, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.
- Módulo de memória fixa de núcleos de ferrite do computador de orientação da Apollo, o formato em que o software de voo era gravado para as missões. Imagem de NASA (enviada por Grabert na Wikipédia em alemão), Domínio público, via Wikimedia Commons.
- A Terra nascendo sobre o horizonte lunar, vista da Apollo 8 e fotografada por Bill Anders em 24 de dezembro de 1968, durante o voo em que o P01 foi selecionado por engano. Imagem de NASA / Bill Anders, Domínio público, via Wikimedia Commons.
- Lançamento da Apollo 11 pelo foguete Saturn V, em 16 de julho de 1969, no Centro Espacial Kennedy. Imagem de NASA, Domínio público, via Wikimedia Commons.
- A tripulação da Apollo 11, da esquerda para a direita: Neil Armstrong, comandante; Michael Collins, piloto do módulo de comando; e Edwin Aldrin, piloto do módulo lunar, em foto de 14 de abril de 1969. Imagem de NASA, Domínio público, via Wikimedia Commons.
- O módulo lunar Eagle em configuração de pouso, fotografado da órbita da Lua a partir do módulo de comando Columbia, em 20 de julho de 1969, com Armstrong e Aldrin a bordo. Imagem de NASA, Domínio público, via Wikimedia Commons.
- A sala de controle de missão em Houston ao fim da Apollo 11, em 24 de julho de 1969, quatro dias depois do pouso; segundo a descrição do arquivo, um monitor mostra o presidente Richard Nixon saudando os astronautas. Imagem de NASA, Domínio público, via Wikimedia Commons.
- Telegrama do senador Leverett Saltonstall a Charles Stark Draper, de 9 de agosto de 1961, que avisa que o Laboratório de Instrumentação foi escolhido para o sistema de orientação e navegação da Apollo, com contrato estimado em US$ 4 milhões no primeiro ano. Exposto no Draper em 2019. Imagem de ArnoldReinhold, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Os textos são nossos, escritos a partir das fontes acima. Frases entre aspas são das pessoas citadas; as traduções são livres e trazem o original à mão. Fatos sobre pessoas vivas valem até 1 de outubro de 2026. Achou um erro? Avise pelo contato.